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Inauguração das primeiras Centrais Automáticas no Brasil Década de 1920

São Paulo

Transcrição de artigo da Revista "Sino Azul" - ano 1, jul. 1928, vol.I, nº.7, p.1, 2, 3


"SAO PAULO, a formosa capital do grande Estado, inaugura este mês o serviço telefônico automático num trecho de sua vasta área.

Esse acontecimento notável vem realçar ainda mais a situação de destaque que a cidade tem entre as demais cidades brasileiras, si bem que em algumas delas, como Recife e Porto Alegre, já existisse serviço telefônico automático. Mas, si compararmos a situação dessas cidades com a da metrópole paulista, sob o ponto de vista telefônico, chegaremos á conclusão de que o acontecimento deste mês têm, moral ou materialmente, uma significação toda especial na vida de uma das maiores e mais adiantadas cidades do nosso país.

A capital de S. Paulo possui uma rede de cerca de 25.000 telefones, o que dá uma idéia do progresso a que atingiu esse meio de comunicação e do argumento crescente do numero de seus habitantes. ...um trabalho de muito maior vulto comparado com o que foi feito nas duas cidades acima citadas que, pode-se dizer, tinham um equipamento obsoleto, que foi completamente abandonado,

O caso de S. Paulo é diferente. Essa cidade possui estações telefônicas manuais relativamente modernas, com material novo e aperfeiçoado que logicamente, não pode ser abandonado. É por essa razão que a substituição do serviço manual por automático não será feita por completo. ... Não se trata assim de uma substituição de material, mas a introdução de aparelhamento novo,

Já estão quase terminados os preparativos para a inauguração da primeira estação automática, o que deve ser feito ás 24 horas do dia 13 do mês corrente. Desse modo, a partir da hora 0 de 14, todos os assinantes compreendidos na área da estação “Cinco”, em numero de 3.500, aproximadamente, passarão a formar no disco os números dos telefones com que desejem falar.

O novo edifício da Rua Brigadeiro Galvão 55, especialmente construído para nele ser instalada a estação "Cinco", contém, pode-se dizer, mais do que um navio pode comportar de delicadas peças indispensáveis á instalação do serviço automático.

A Companhia Telefônica Brasileira despendeu quantia superior a 12.750:000$000 na instalação do serviço automático em S. Paulo.

O sistema escolhido pela Companhia para sua primeira estação automática foi o Strowger, com todos os mais modernos aperfeiçoamentos. Esse material foi fornecido pela Automatic Electric Co., de Chicago, America do Norte.

Os trabalhos de instalação da estação automática foram dirigidos por H. J. English, Superintendente do Equipamento de S. Paulo. A Automatic Electric Co., além do Engenheiro J. B. Cooley, que acompanhou todos os trabalhos, na qualidade de engenheiro residente, mandou-nos mais um chefe de instaladores, E. C. Mickelsen e seu ajudante, M. N. Hampton, com longa pratica do serviço.

O êxito do funcionamento do sistema automático depende da correção com que os assinantes manejarem os aparelhos telefônicos. Nesse sentido a Companhia tem defendido instruções claras ensinando como se procede para obter uma ligação telefônica automática. Destacou também a Companhia vinte e cinco empregados, especialmente treinados, para darem nas casas dos assinantes as necessárias instruções sobre o modo de usar os novos telefones automáticos e esses empregados puderam constatar o interesse por todos manifestado em receber essas instruções.

O manejo do telefone automático é, aliás, tão simples que se não encontrará dificuldades em fazê-lo funcionar com perfeição, depois de lidas atentamente as instruções contidas nas primeiras paginas da nova Lista de Assinantes e no folheto já largamente distribuído pela Companhia, com todos os detalhes sobre o modo de pedir uma ligação."

Rio de Janeiro

Transcrição de artigo Revista "Sino Azul" - ano 2, dez. 1929, vol. II, nº 24, p.3,4 e 5


"A cidade do Rio de Janeiro, cujos dotes naturais lhe conferem o privilegio da mais bela capital do mundo, acompanha o progresso geral em todas as suas manifestações, aproveitando os surtos que assinalam as etapas de civilização para provar a capacidade de trabalho e a orientação dos seus governos.

Prestigiada, assim, pela elite das populações e pelos Governos, a Companhia Telefônica Brasileira tem estado á vontade para pensar no melhoramento do seu equipamento telefônico, de que a ultima palavra é o sistema automático.

E essa substituição, que com tanto sucesso foi feita na capital de S. Paulo, acaba de atingir agora a Capital da Republica com a inauguração da primeira estação automática, parte de um grande projeto de remodelação da rede telefônica do Rio de Janeiro.

Em cumprimento ao acordo firmado com a Prefeitura do Distrito Federal para reforma da rede da Capital da Republica, a Companhia Telefônica Brasileira, inaugurará no dia 24 do corrente mês, ás 23 horas e 30 minutos, a primeira estação automática da cidade. Esta estação, instalada no mesmo edifício da estação manual Norte, á Rua do Costa nº 69, terá uma capacidade inicial de 6.000 linhas.

A H. L. Banfill, Engenheiro Chefe, coube a tarefa de iniciar o grande empreendimento, coordenando todos os planos já feitos e delineando novos planos exigidos pelo rápido desenvolvimento que vai tendo o Rio de Janeiro. A A. I. Peterson, Sub-Superintendente Geral, a cujo cargo esta a Divisão do Rio, coube a execução de um serviço que , si bem fosse chamado de emergência, para atender ás necessidades mais urgentes do serviço telefônico no centro comercial da cidade, tinha extraordinária importância pela presteza com que devia ser executado e pelas dificuldades em remodelar a rede de uma cidade de vida intensa como o Rio, justamente em sua zona de maior trafego, não só de veículos como de pedestres.

Em princípios de Maio do corrente ano foram iniciados os serviços de escavação das ruas, para a abertura de valas por onde deviam passar as linhas de ductos conduzindo os novos cabos. Os trabalhos foram feitos dia e noite, de acordo com os planos traçados por A. T. Penna, da Engenharia de Divisão, e com turmas que se revezavam. Valas abertas num dia já no outro apareciam cobertas e com ductos instalados. Ruas de grande movimento como Marechal Floriano, Ouvidor e Avenida Rio Branco, foram abertas sem o menor transtorno para o trafego intenso das mesmas.

Só em Junho começou a chegar o equipamento encomendados para a nova estação automática á International Standard Electric Corporation, de Bruxelas, Bélgica. Já há esse tempo se achavam no Rio, J. Harms, Instalador Chefe da fabrica, com uma turma de instaladores dirigida por H. Holgersen, e R. Wetterlind.

Os trabalhos de instalação tiveram começo na primeira quinzena de Julho e correram tão intensos que cinco meses depois começaram a ser feitos os últimos testes. Nesses trabalhos deve ser também incluído o equipamento automático instalado nas estações manuais, para comunicação destas com a estação automática e vice-versa.

A. T. dos Santos, Superintendente Comercial, dirigiu todo o serviço de aviso e instrução aos assinantes e ao publico em geral. A Lista de Assinantes foi preparada e distribuída, para ser posta em vigor apenas em 24 de corrente, a partir das 24 horas. ... "

Porto Alegre

Transcrição de artigo do Jornal "Correio do Povo" - Porto Alegre (RS), 30 de abril de 1922, p. 4

"Telefones Automáticos

Ontem, foram inaugurados os vinte primeiros telefones automáticos, instalados pela Companhia Telefônica Rio-Grandense.

A inauguração foi coroada de êxito, demonstrando as vantagens que trazem esses aparelhos.

Às 16 horas, comunicou-se com o aparelho da nossa redação, que tem o número 330, o Dr. Viterbo de Carvalho, um dos diretores da Companhia Telefônica Rio-grandense, que nos transmitiu a notícia da inauguração."



Rio Grande

Transcrição de artigo do Jornal "Rio Grande" - Rio Grande (RS), 21 de novembro de 1925

"Hoje, às 17 ½ horas, foi oficialmente inaugurado o novo serviço telefônico, sistema automático, importante melhoramento com que vem de ser dotada a nossa cidade pela acreditada Companhia Telefônica Rio-grandense, com o operoso Governo do Município.

Para o ato da inauguração que teve lugar no Centro desta cidade, recebemos atencioso convite, gentileza que muito agradecemos.

Acham-se já em pleno funcionamento e com o mais satisfatório resultado, duzentos e cinqüenta aparelhos."



Recife

Transcrição de trecho do livro "Pequena História da Telefonia em Pernambuco" - de Lourdes Sarmento, Companhia Editora de Pernambuco, Recife, 1980, pág. 61

O Jornal do Comércio, associando-se aos progressos do Recife, publicava no seu periódico a instalação, no dia 03 de dezembro de 1927, dos telefones automáticos, às 21 horas.

Comentou o Jornal do Comércio que o ato revestiu-se de uma bonita solenidade quando compareceram pessoas de destaque. Cita o JC, a presença do Dr. Sebastião Lins, Secretário de Agricultura, Chefe de Polícia, Comandante da Força Pública, Diretor da Faculdade de Direito e representantes da imprensa.

Na oportunidade, falou o Dr. Arthur Smith, gerente da Companhia, que se referia ao novo melhoramento da telefonia. O Dr. Sebastião Lins agradeceu em nome do Sr. Governador e foi estabelecida a ligação com a residência do Governador Júlio de Mello. Respondendo, o Sr. Governador felicitou a empresa.

Outras ligações foram feitas depois para as residências dos Srs. Edgard Altino, Souza Leão, Samuel Hardman e Netto Campello.

Após os telefonemas, foi servido champanha aos presentes, havendo trocas de brindes.

A nova rede foi montada pelo engenheiro chefe J. Berry, servindo como eletricista e instaladores os senhores W. L. Martins e E. Seeley."

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