Funcionamento do Telefone
Transmissão do som pelo ar
Quando damos um grito, batemos palmas ou fazemos qualquer outro som, produzimos vibrações
que se propagam pelo ar para todos os lados, assim como as
ondas Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço ou num
meio material que se formam ao jogarmos uma pedra na água.
A pedra faz com que a água se movimente, provocando uma perturbação nas regiões próximas
que transmitem essa movimentação, de maneira mais suave, para as regiões seguintes
e assim sucessivamente.
No caso das ondas Onda: campo eletromagnético
que se propaga no espaço ou num meio material sonoras que se propagam
pelo ar, acontece um fenômeno bem parecido, só que invisível. Portanto, quando um
objeto vibra, faz com que as camadas de ar ao seu redor se movimentem, agitando
as camadas vizinhas e assim por diante.
As ondas Onda: campo eletromagnético
que se propaga no espaço ou num meio material sonoras, além de invisíveis
são também muito rápidas, porém não instantâneas. O som demora um tempo para ir
de um lugar a outro. Já notou que quando vemos um raio, leva algum tempo para escutarmos
o som do trovão? Isso acontece porque o som leva alguns segundos para percorrer
a distância entre o lugar em que o raio ocorreu até o lugar onde estamos.
O som perde força, pois, como se propaga em todas as direções, perde intensidade.
No entanto, existe um modo de evitar isso: fazendo com que caminhe dentro de um
tubo. Esse tubo pode ser de plástico, borracha ou metal, com alguns centímetros
de diâmetro.
Ao falarmos em uma das extremidades de um tubo produziremos ondas Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço
ou num meio material sonoras que passarão por ele sem se espalhar,
mantendo, praticamente, a mesma intensidade e fazendo com que a pessoa na outra
ponta do tubo, a uma distância de 100 metros, por exemplo, ouça perfeitamente o
que se diz sem que seja preciso gritar.
As ondas Onda: campo eletromagnético
que se propaga no espaço ou num meio material sonoras se propagam não
apenas pelo ar, mas também, em meio a outras substâncias, sendo uma delas, a água.
Já tentou falar embaixo d'água? Se tentou, sabe que não é possível, porém, se tocar
um sino no fundo de uma piscina, certamente o escutará.
A velocidade do som na água é maior do que no ar - cerca de 1.500 metros por segundo
- porém, o fato de não conseguirmos ouvir os sons que vêm de fora da água, estando
dentro dela, tem a ver com a barreira constituída pela água para a passagem das
ondas Onda: campo eletromagnético
que se propaga no espaço ou num meio material sonoras.
Ao contrário do que se imagina, o som passa também pelas substâncias sólidas; já notou
a sensação que temos de que o piso vibra quando um caminhão pesado passa próximo
à rua da nossa casa? Isso acontece porque as vibrações produzidas por ele, se espalham
pelo chão atingindo as áreas mais próximas. O mesmo acontece quando nosso vizinho
dá uma grande festa; a música e o burburinho da conversa dos convidados fazem com
que as paredes, portas e janelas vibrem, nos fazendo escutar o barulho, mesmo que
estejam fechadas.
Existem substâncias que apresentam maior e menor dificuldade à passagem do som. Tecidos
grossos, colchões, travesseiros e acolchoados são exemplos de materiais que absorvem
as vibrações, ou seja, não permitem que o som continue se propagando. Pelo contrário,
materiais como placas metálicas, por exemplo, reproduzem as vibrações provocadas
pelo som com maior facilidade.
Assim como no ar, o som que passa por substâncias líquidas e sólidas se espalha para
todos os lados perdendo intensidade gradativamente. No entanto, se esse som for
canalizado, pode alcançar grandes distâncias sem perder força. Um exemplo disso
está na seguinte experiência: ao encostar o ouvido no trilho de uma linha ferroviária,
é possível escutar o som de um trem que está a vários quilômetros de distância.
Isso é possível porque o trilho metálico impede que o som se disperse, fazendo com
que este percorra somente a extensão da ferrovia, para um lado ou para outro.
Quem já não brincou de telefone usando latinhas e barbante? Nessa divertida brincadeira,
temos também uma experiência que usa este mesmo princípio.
Qual a velocidade do som???
O som tem uma velocidade de cerca de 330 a 360 metros por segundo, dependendo da temperatura e da umidade do ar. Isso quer dizer que a vibração produzida pelo som pode percorrer até uma distância de 360 metros no ar em apenas um segundo. Ou seja, se vimos um raio e, dois segundos depois, ouvirmos o som do trovão, isso significa que o raio ocorreu a cerca de 700 metros de distância. Uma grande explosão poderia ser ouvida, depois de um minuto, a 20 quilômetros de distância. Em uma hora, o som seria capaz de percorrer entre 1.200 a 1.300 quilômetros. O que acontece, porém, é que o som vai perdendo a força ao se propagar pelo ar, por isso, não atinge grandes distâncias.
Os aviões supersônicos são aqueles que atingem velocidades maiores do que a do som, voando a uma velocidade maior que 1.200 ou 1.300 km/h. Os aviões "normais", que transportam passageiros ou cargas (subsônicos) atingem uma velocidade média de 900 km/h.
Quer brincar???
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Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
Tubos de comunicação
Os sons são formados por ondas
Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço ou num meio material
que, assim como na água, se propagam para todos os lados e, por isso, tornam-se cada
vez mais fracos à medida em que se afastam do objeto que o produziu.
No entanto, existe um modo de evitar que o som se espalhe: fazendo-o percorrer um
caminho no interior de um tubo.
Ao produzir um ruído em uma das extremidades de um longo tubo - de plástico, borracha
ou metal, com alguns centímetros de diâmetro - as ondas
Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço ou num meio
material sonoras passarão por ele sem se dispersar, mantendo
praticamente a mesma intensidade. Se houver uma pessoa na outra ponta do tubo, a
uma distância de 100 metros, por exemplo, ela ouvirá perfeitamente o ruído que foi
produzido, mesmo que não seja alto.
Esta era a base de um tipo de sistema de transmissão mecânica de voz, já bastante
antigo, o tubo acústico, ou de comunicação, popularmente conhecido naquela época
como "porta-voz".
No início do século XIX, usando tubos vazios de encanamento de água, o físico Biot
descobriu ser possível conversar com uma pessoa, sem alterar o tom da voz, a uma
distância de até um quilômetro.
O "porta-voz" foi muito usado durante o século XIX e início do século XX na Marinha,
para comunicação entre as diversas partes de um navio.
A parte inicial - lugar onde se falava - e final do tubo - lugar onde se escutava
- eram normalmente feitos de metal. O tubo, em si, era feito de borracha envolta
em lã ou algodão. Para chamar uma pessoa do outro lado, usava-se um apito que a
pessoa soprava na boca do tubo acústico. Esse som era facilmente ouvido do outro
lado, mesmo por pessoas que estivessem distantes de sua saída.
Os tubos de comunicação usados em escritórios e residências no final do século XIX
possuíam um bocal, preso à caixa do aparelho onde se falava, e uma espécie de fone
preso a um tubo de borracha para ser colocado no ouvido.
Nas empresas, os tubos acústicos serviam para permitir a comunicação entre o escritório
central e as diversas partes de uma fábrica, por exemplo.
No final do século XIX, tais aparelhos eram construídos e vendidos em grandes quantidades,
e diversos modelos. Os mais sofisticados contavam com dois dispositivos, um para
falar e outro para ouvir, além de campainhas que avisavam quando uma pessoa queria
falar.
Como funciona....
De um lado, o aparelho possuía um cone metálico com as duas extremidades abertas, onde a mais fina ficava conectada a um tubo que podia ser bastante longo. Quando uma pessoa dizia algo no cone, era possível ouvir sua voz perfeitamente na outra ponta do tubo, o que podia ocorrer mesmo a grandes distâncias.
Saiba mais...
Além de equipamento importante para a comunicação empresarial e entre alguns domicílios, os tubos podiam servir ainda de brinquedos para as crianças..
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
Dispositivos de aviso.
Os primeiros telefones foram todos fabricados por Thomas Watson (ajudante de Graham
Bell), como ele mesmo costumava dizer: -“com minhas próprias mãos”. Após a invenção,
ele retornou à oficina de Williams (onde Bell o conheceu), e passou a supervisionar
a produção, dedicando seu tempo ao aperfeiçoamento dos aparelhos e à redução de
custos.
Entre maio e agosto de 1877, o telefone sofreu quatro importantes modificações:
Forma: De uma caixa grande e desajeitada, semelhante
às antigas câmeras fotográficas, passou a ser um objeto menor e mais prático.
Campainha: Watson inventou uma série de sistemas
de campainha para avisar quando uma pessoa queria falar.
Interruptor: Mecanismo acionado que prepara o
telefone para fazer ou receber ligações.
Gancho: Interruptor que conectava e desconectava
o telefone automaticamente.
De 1877 à 1880, Watson registrou 60 patentes referentes aos aperfeiçoamentos e acessórios
do telefone.
Os primeiros telefones comercializados em 1877, pesavam cerca de 5 Kg, pareciam caixas
e ficavam apoiados sobre uma mesa ou outro móvel. Instalados em lugares distantes
- sistema conhecido como ponta a ponta - cada um deles possuía um dispositivo que
funcionava nos dois sentidos: servia tanto para ouvir, quanto para falar. Ou seja,
enquanto uma pessoa falava em um dos aparelhos, a outra tinha que encostar o ouvido
no outro, trocando depois, de posição.
Como esses telefones funcionavam com energia eletromagnética Eletromagnético: ver Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço
de metal enrolado por um fio. Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza
apresentando as mesmas propriedades de um ímã., não precisavam de pilhas
ou qualquer outro tipo de energia externa, permanecendo ligados o tempo todo, já
que não havia nenhum tipo de interruptor.
Outra parte do telefone que não existia inicialmente, eram as campainhas. Imagine
como uma pessoa faria para avisar que queria falar com a outra? A única alternativa,
até aquele momento, era ficar gritando na esperança de que alguém passasse próximo
ao outro aparelho e ouvisse os berros.
Pouco tempo depois, devido a este problema, Williams (dono da oficina onde Watson
começou a trabalhar) descobriu que, ao bater com um lápis no diafragma Diafragma: chapa de metal que vibra à frente
do eletroímã, induzindo variações na corrente elétrica do transmissor telefônico
ou reproduzindo estas variações no receptor. do aparelho transmissor Transmissor: aparelho que transmite a voz;
microfone , produzia ruídos fortes no receptor Receptor: fone; auricular .
Watson achou o método muito interessante, porém, percebeu que poderia danificar
o aparelho. Inspirado por essa idéia, desenvolveu um sistema parecido, onde um botão
fora da caixa do aparelho, quando pressionado com o dedo, acionava um pequeno martelo
que batia em um ponto do diafragma, sem danificá-lo, garantindo o bom funcionamento
do aparelho.
O “batedor” de Watson era, certamente, melhor que os gritos ou as batidas diretas
no diafragma, porém, ainda assim tinha um problema: não conseguia chamar a atenção
das pessoas que estivessem distantes do aparelho. Por isso, Watson resolveu usar
um outro tipo de dispositivo – uma peça do telégrafo harmônico de Bell -, lembra-se
dele? O telégrafo possuía eletroímãs
Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio. Quando
a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades
de um ímã. que faziam as lâminas vibrarem, o que gerava um zumbido,
certo? Usando um “zumbidor”, ou como Watson costumava chamar, um “buzzer”, ligado
a uma pilha, seria possível produzir um ruído que chamasse a atenção de todos. Apesar
de terem sido fabricados alguns aparelhos de telefone com o “zumbidor”, ele não
agradou muito. O som era fraco e bastante desagradável. De acordo com o próprio
Watson, parecia com o ruído de um objeto duro, sendo passado por um ralador metálico.
Depois de todo esse processo, Watson desenvolveu um método de aviso, bastante eficiente,
usando a campainha elétrica. As campainhas, que já eram bem conhecidas e utilizadas
em casas e comércios, com as quais Williams já trabalhava há muitos anos, funcionavam
da seguinte forma: um eletroímã Eletroímã:
ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio. Quando a corrente
atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades de um
ímã movia um pequeno martelo metálico (badalo), para um lado e para
o outro, batendo em dois gongos também metálicos, produzindo um som muito forte.
A solução encontrada por Watson criou-lhe outros dois problemas para resolver: conseguir
fornecer uma corrente elétrica suficientemente forte para fazer a campainha funcionar
e usar um único fio que acionasse a campainha e transmitisse a voz.
Saiba mais sobre o funcionamento das campainhas-magneto... Para acionar
a campainha, usava-se um tipo de dínamo
Dínamo: gerador de eletricidade que funciona ao girar uma manivela. (ver magneto)
, popularmente chamado de "magneto" Magneto: 1 ímã em forma de barra ou ferradura.. 2 em telefonia:
gerador de dois pólos acionado por manivela, empregado em telefones ou em mesas
telefônicas para produzir sinais de toque de corrente alternada,
que produzia uma corrente elétrica bastante forte fazendo com que as campainhas
soassem. O único problema era que, se essa mesma corrente atingisse o telefone,
poderia danificá-lo, já que este empregava correntes extremamente fracas. Assim,
Watson desenvolveu um tipo de interruptor, ou comutador
Comutador: interruptor, dispositivo usado para estabelecer conexão
entre dois aparelhos ou circuitos telefônicos , que era colocado
na caixa dos aparelhos e tinha duas posições: na primeira, ligava o fio telefônico
à campainha e ao magneto, e na segunda, ao aparelho de telefone propriamente dito.
As pessoas deveriam deixá-lo sempre na primeira posição, assim, quando a outra pessoa
girasse a manivela do magneto, enviaria a corrente elétrica pelo fio, que seria
recebida pela campainha e não pelo telefone. Depois disso, a pessoa que estivesse
telefonando, deveria mudar o interruptor para a segunda posição. Após ouvir a campainha,
a pessoa que estivesse do outro lado da linha deveria fazer da mesma forma para
que pudessem conversar entre si. Ao terminar a conversa, as duas pessoas precisariam
retornar o interruptor à primeira posição, permitindo que a campainha pudesse voltar
a funcionar.
O uso do interruptor confundia as pessoas, e elas, raramente, faziam as mudanças necessárias.
Assim, era muito comum que uma pessoa tentasse chamar a outra e não conseguisse,
pois a campainha estava desligada.
Diante do fracasso desse sistema, Watson introduziu mais uma modificação: um dispositivo
que mudava, automaticamente, a conexão da linha entre o telefone e a campainha-magneto.
O resultado, extremamente simples, foi a invenção do “gancho”
Gancho: suporte para o fone que opera o telefone pela retirada
ou recolocação do telefone, usado até hoje nos telefones com
fio.
A parte do aparelho usada para falar - transmissor Transmissor: aparelho que transmite a voz; microfone
- e escutar - receptor Receptor: fone;
auricular -, ficava pendurada em um gancho Gancho: suporte para o fone que opera o telefone pela retirada ou
recolocação ,o interruptor
Interruptor: comutador, dispositivo usado para estabelecer conexão entre dois aparelhos
ou circuitos telefônicos ; ou seja, quando o telefone
estava no gancho Gancho: suporte para
o fone que opera o telefone pela retirada ou recolocação , o sistema
ligava a linha telefônica à campainha, quando estava fora dele, o sistema desligava
a campainha e conectava a linha telefônica ao telefone propriamente dito. Isso tornou
tudo mais simples, uma vez que, a única coisa que as pessoas precisavam se lembrar
era de colocar o telefone no gancho
Gancho: suporte para o fone que opera o telefone pela retirada ou recolocação
.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
Como funciona um transmissor eletromagnético (como o de Bell)
Para transmitir a voz de uma pessoa por meio da eletricidade, é preciso criar uma
corrente elétrica Corrente Elétrica:
movimento de carga elétrica através de um condutor com alto grau
de complexidade, que reproduza as propriedades do som de sua voz. Quando uma pessoa
fala, ela produz uma onda Onda: campo
eletromagnético que se propaga no espaço ou num meio material que
vai mudando de intensidade e frequência
Freqüência: num processo periódico, número de ciclos completos que ocorrem por unidade
de tempo transcorrido, cuja unidade para um segundo, é o hertz –
uma vibração sonora. Esta vibração é transmitida pelo ar até alcançar um aparelho
que reproduz essa vibração para a corrente elétrica.
O primeiro tipo de aparelho transmissor
Transmissor: aparelho que transmite a voz; microfone, desenvolvido por
Alexander Graham Bell, utilizava a energia das vibrações sonoras que movimentavam
uma placa metálica na frente de um eletroimã
Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio. Quando
a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades
de um ímã , criando uma corrente elétrica, seguindo o princípio
da indução eletromagnética Indução
Eletromagnética: produção de força eletromotriz , num circuito ou condutor.
Este é, basicamente, o princípio de funcionamento do transmissor eletromagnético de
Bell que, em todas as suas formas, possui um ímã permanente e um solenóide
Solenóide: constituído por um fio metálico enrolado em espiras paralelas, como em
uma mola, e muito próximas, induz variações eletromagnéticas em um circuito
: constituído por um fio metálico enrolado em espiras paralelas, como em uma mola,
e muito próximas, induz variações eletromagnéticas Eletromagnético: ver Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço
de metal enrolado por um fio. Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza
apresentando as mesmas propriedades de um ímã. em um circuito
que recebe correntes elétricas induzidas por uma placa de ferro.
O tamanho e posição desses elementos, a espessura da placa de ferro, o número de espiras Espiras: cada volta da espiral,
ou do do solenóide Solenóide:
constituído por um fio metálico enrolado em espiras paralelas, como em uma mola,
e muito próximas, induz variações eletromagnéticas em um circuito
, a grossura do fio entre outros aspectos do transmissor de Bell, foram ajustados
inúmeras vezes, até que se obtivessem os resultados esperados.
Quando uma pessoa fala diante de um transmissor como esse, produz vibrações sonoras
que, transmitidas através do ar, atingem a placa metálica que acompanha as variações
de freqüência e intensidade - modulação
Modular: variações de altura ou de intensidade na emissão de ondas-
da voz de quem fala. A corrente elétrica variável produz uma onda Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço
ou num meio material eletromagnética Eletromagnético: ver Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço
de metal enrolado por um fio. Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza
apresentando as mesmas propriedades de um ímã. que reproduz
todas as características da onda sonora original. Assim, essa corrente elétrica
pode produzir em um fone de ouvido ou alto-falante vibrações praticamente iguais
às da placa de ferro, transmitindo assim sons à distância, por meio da eletricidade.
Este transmissor não precisa de pilhas ou outras fontes de eletricidade para funcionar,
porque a própria energia do som, que coloca a placa de ferro em vibração, produz
uma corrente elétrica que mesmo sendo muito fraca (incapaz de acender uma lâmpada
de lanterna), produz efeitos sonoros que podem ser captados por um receptor sensível
como os fones de ouvido.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
Transmissão a grandes distâncias - Bobinas
Após todo o trabalho de aperfeiçoamento do telefone, no final do século XIX a preocupação
passou a ser quais seriam as demais possibilidades de melhoria na transmissão telefônica
a grandes distâncias.
Elementos a serem modificados:
Transmissor - Aparelho que produz o sinal telefônico.
Receptor - Aparelho que nos permite ouvir o sinal
telefônico.
Linha de transmissão - rede elétrica por onde
passa o sinal telefônico.
Medidas a serem tomadas:
Aumentar a potência do transmissor - Tornar o
sinal mais forte na origem.
Aumentar a sensibilidade do receptor - Tornar
audível um sinal mais fraco.
Melhorar a transmissão - Fazer com que o sinal
percorra corretamente toda a linha telefônica.
Objetivos das mudanças na linha telefônica:
Amplificar o sinal em pontos intermediários -
Reforçar o sinal após ter perdido força.
Reduzir a atenuação - Evitar que o sinal perca
força com a distância.
Reduzir a distorção - Manter a boa qualidade da
voz.
Reduzir ruídos da linha - Ruídos produzidos por
causas externas.
Não havia grandes dificuldades em aumentar a potência do
transmissor aparelho que transmite a voz; microfone.,
bastava, por exemplo, usar baterias mais fortes. Aumentando a potência do transmissor,
a corrente elétrica Corrente Elétrica:
movimento de carga elétrica através de um condutor no fio também
aumenta, perdendo assim muita energia, já que a potência perdida nos fios é igual
ao quadrado da corrente elétrica. Ou seja, se a corrente elétrica é dobrada, a perda
de energia é quadruplicada, por isso, quando as correntes elétricas são fortes,
o sinal telefônico de um fio passa a interferir mais fortemente nos vizinhos.
Isso quer dizer que para aumentar a corrente elétrica, seria necessário afastar os
fios uns dos outros nos postes, o que criaria muitos problemas. Como já havia uma
rede telefônica
Rede telefônica: conjunto de fios e centrais telefônicas, que se comunicam entre
si. constituída, aumentar a força das correntes elétricas nos fios
significava mudar todos os postes de lugar. Assim, por motivos práticos, os técnicos,
em 1890, desistiram dessa idéia descartando também o aumento de potência dos transmissores.
Aumentar a sensibilidade do receptor
Receptor: fone; auricular tampouco seria uma solução, já que não resolveria
problemas como sinais telefônicos fracos, distorcidos e cheios de ruídos; pelo contrário,
só tornaria sua transmissão mais potente agravando ainda mais a situação.
Concluiu-se então que a solução deveria estar na mudança da própria linha de transmissão.
A partir de 1892, com a idéia de amplificar o sinal em pontos intermediários, foram
instalados os "repetidores"Repetidor:
dispositivo que amplifica, recupera ou regenera sinais de transmissão para compensar
a distorção ou atenuação do sinal antes de enviá-lo para seu destino.
(repeaters) – sistema utilizado com sucesso nos telégrafos. Repetidor era uma estrutura
formada por um receptor e um transmissor que, encostados um ao outro, recebiam os
sinais telefônicos que eram transmitidos com mais força.
No entanto, este sistema ainda não resolvia os problemas de ruídos e distorção; pelo
contrário: cada vez que o sinal telefônico passava pelo repetidor, mesmo ganhando
força, perdia qualidade.
Em meados de 1890, William Thomson, mais conhecido como Lord Kelvin, desenvolveu uma
teoria sobre a atenuação Atenuação:
1. perda da força ou intensidade; enfraquecimento, redução, limitação. 2. diminuição
da intensidade de um sinal ou de um feixe de radiação ao atravessar um meio
dos sinais telegráficos com a distância, levando em conta duas propriedades dos
fios: resistência Resistência: medida
que caracteriza a propriedade que tem um elemento de converter energia elétrica
em calor, quando percorrido por corrente elétrica. A unidade de medida é ohm
e capacitância Capacitância: 1. impedância de um circuito que se comporta como um condensador; capacidade elétrica 2. razão entre a carga armazenada em um dos dois condutores que constituem o capacitor e a diferença de potencial existente entre os mesmos; capacidade elétrica. . Analisando estas duas propriedades elétricas das linhas, ele concluiu que
havia um limite na distância que os sinais telefônicos poderiam alcançar e que isso
dependia, principalmente, da resistência
Resistência: medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento de converter
energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente elétrica. A unidade de
medida é ohm dos fios.
Uma solução possível e eficiente seria a substituição da fiação por fios de cobre,
o que constituía, porém, uma alternativa um pouco cara. Primeiro porque, quanto
mais distantes as linhas, mais grossos deveriam ser os fios, e depois porque seria
preciso trocar os postes existentes por outros que suportassem o peso desta nova
fiação. Com isso, sob o ponto de vista prático, parecia ser inviável construir linhas
que ultrapassassem 800 milhas Milha:
originalmente uma medida linear usada pelos romanos equivalente a 1.000 passos.
Hoje equivale a 1.609 metros , ou 1.300 km.
1.1. Bobinas de carga (loading coils)
A solução encontrada no início do século XX para a melhoria das linhas de grande distância,
foi o uso das “ bobinas de carga” (em inglês, loading coils). Com este tipo de dispositivo,
foi possível atingir distâncias de centenas de milhas ou quilômetros, sem perder
a qualidade da transmissão.
Quando uma corrente elétrica percorre um fio, ela o aquece e perde energia. Para reduzir
a quantidade de energia perdida, é possível diminuir a resistência
Resistência: medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento
de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente elétrica.
A unidade de medida é ohm elétrica do fio usando fios mais
grossos, como já vimos, ou aplicando um outro método, cujo princípio físico pode
ser entendido por meio da seguinte analogia:
Faça a experiência...
Pense na imagem de uma mangueira - a que você costuma usar em sua casa para regar
as plantas - estendida no chão, com uma de suas pontas presa à torneira. Se você
pegar a outra ponta e balançá-la, horizontalmente, de um lado para o outro, produzirá
uma onda. Essa onda, no entanto, desaparecerá rapidamente, devido ao atrito da mangueira
com o chão. Para alcançar maiores distâncias, temos três alternativas:
1 - Diminuir o atrito da mangueira com o chão,
fazendo-a oscilar sobre uma superfície lisa. O que equivale a diminuir a resistência Resistência: medida que caracteriza a propriedade
que tem um elemento de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por
corrente elétrica. A unidade de medida é ohm nos fios, no caso
das ondas Onda: campo eletromagnético
que se propaga no espaço ou num meio material ... elétricas.
2 - Produzir uma onda maior, balançando a mangueira
com mais força é o mesmo que transmitir sinais telefônicos mais fortes.
3 - Aumentar a massa
Massa: quantidade de matéria de um corpo. ou peso
da mangueira, enchendo-a de água, por exemplo. Isso equivale a aumentar a indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética".
A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com
que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
da linha telefônica.
A terceira possibilidade é a menos óbvia e mais interessante. Aumentando a massa Massa: quantidade de matéria de
um corpo. ou inércia Inércia:
propriedade de um corpo de permanecer em repouso ou em movimento uniforme, na mesma
linha reta ou direção, enquanto não intervém uma força que altere esse estado.
da mangueira, faz com que essa perca energia mais lentamente e sua onda
alcança maiores distâncias. Portanto, se rechearmos a mangueira com bolas de chumbo
e repetirmos a experiência descrita anteriormente, veremos que a onda perderá menos
energia pelo atrito, indo ainda mais longe. Ou seja, se a mangueira tiver massa Massa: quantidade de matéria de um corpo.
maior, a onda que fizermos nela será mais lenta, porém perderá menos energia
em seu deslocamento. O mesmo pode ser feito colocando bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
de carga ao longo dos fios, que fazem com que as oscilações elétricas vão mais
longe, antes de ter sua intensidade diminuída.
O uso de bobinas Bobina: uma ou
mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada
para criar um fluxo magnético de carga, embora pareça simples, exige
cálculos bastante complicados. Esta foi a primeira ocasião em que os pesquisadores
que trabalhavam na melhoria da comunicação elétrica, precisaram empregar uma teoria
física sofisticada com cálculos matemáticos complexos.
O inglês Oliver Heavisidem, operador de telégrafo entre 1868 e 1874, desenvolveu na
década de 1880, uma teoria sobre o uso de bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
. Apesar de sua experiência prática com a produção e recepção de sinais elétricos
por fios, seu principal trabalho era teórico e provava que a alta indutância Indutância: tipo de \ inércia Inércia: propriedade de um corpo de permanecer
em repouso ou em movimento uniforme, na mesma linha reta ou direção, enquanto não
intervém uma força que altere esse estado. eletromagnética\. A propriedade
de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com que uma força
eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
ajuda a manter a transmissão das ondas
Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço ou num meio material
eletromagnéticas Eletromagnético:
ver Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio.
Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades
de um ímã. a longas distâncias. Por ser um trabalho de difícil compreensão,
pois exigia conhecimentos de matemática avançada, não foi usado pelos engenheiros
de telecomunicações. Para entendermos o complexo trabalho de Heavisiden, vamos fazer
a seguinte analogia:
Imagine um objeto pendurado em uma mola. Se você puxá-lo para baixo e depois soltá-lo,
ele oscilará pra cima e pra baixo. Se a mola for fraca, as oscilações serão lentas,
se forem fortes, serão mais rápidas. Se o objeto e a mola estiverem no ar, as oscilações
se tornarão lentamente mais fracas devido à resistência
Resistência: medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento
de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente elétrica.
A unidade de medida é ohm do ar. Em cada oscilação, o objeto
perde energia passando-a para o ar. Se a mola e o objeto estiverem dentro de um
líquido, como a água, por exemplo, veremos as oscilações diminuírem muito mais rapidamente.
Ou seja, quanto maior a resistência
Resistência: medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento de converter
energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente elétrica. A unidade de
medida é ohm ao movimento que o ar ou o líquido produzirem, mais
depressa as oscilações vão diminuir.
Como funciona...
A duração das oscilações dependerá de um outro fator: a
massa Massa: quantidade de matéria de um corpo.
do objeto. Um objeto "leve" ou de pequena massa Massa: quantidade de matéria de um corpo. , não
armazena muita energia e pára de oscilar mais rápido em comparação a um objeto "pesado"
ou de grande massa Massa: quantidade
de matéria de um corpo. . Se colocarmos um cubo de plástico e um
de chumbo, ambos do mesmo tamanho, presos a duas molas idênticas, dentro do mesmo
líquido, puxando e soltando a mola do mesmo modo, o cubo de plástico vai parar de
oscilar mais depressa do que o de chumbo. Isso ocorre porque as oscilações do objeto
de chumbo são mais lentas, porém de maior duração.
Quando uma onda se propaga em uma corda ou mola, ocorre algo parecido: ela vai perdendo
energia e se enfraquecendo. Porém, este amortecimento depende do lugar em que a
corda está – no ar, na água ou encostada no chão. A distância atingida pela onda,
como já foi visto, está diretamente relacionada, entre outras coisas, com a grossura
da mola, o que influencia na rapidez com que a energia é perdida. Ou seja, a perda
de energia é mais rápida se a corda for fina e leve, porque ela tem pouca capacidade
de armazenar energia, ao contrário de uma corda grossa que demora mais tempo para
ficar fraca.
Quando aumentamos a massa Massa:
quantidade de matéria de um corpo. da corda tornando-a grossa, estamos
na verdade aumentando sua indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética".
A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com
que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
ou “inércia”
Inércia: propriedade de um corpo de permanecer em repouso ou em movimento uniforme,
na mesma linha reta ou direção, enquanto não intervém uma força que altere esse
estado. . Heaviside calculou o efeito da indutância
Indutância: tipo de \ inércia Inércia: propriedade de um corpo de permanecer em repouso ou em
movimento uniforme, na mesma linha reta ou direção, enquanto não intervém uma força
que altere esse estado. eletromagnética\. A propriedade de um circuito
elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com que uma força eletromotriz seja
gerada pelo processo de indução eletromagnética.
na propagação de ondas Onda: campo
eletromagnético que se propaga no espaço ou num meio material eletromagnéticas Eletromagnético: ver Eletroímã: ímã que
consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio. Quando a corrente atravessa
o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades de um ímã.
e defendeu o uso de bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético intercaladas nos
fios para melhorar a transmissão dos sinais telefônicos. O efeito da indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética".
A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com
que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
consiste basicamente, em armazenar energia sob forma de campos magnéticos.
Como funciona...
Quando uma corrente elétrica passa por um fio, ela produz um campo magnético a seu
redor. Se enrolarmos um fio, formando uma bobina, criaremos um campo magnético muito
mais forte, com a mesma corrente elétrica que diminui mais lentamente, servindo
como reservatório adicional de energia.
A teoria de Heaviside foi ignorada por alguns engenheiros e rejeitada por outros.
O diretor do serviço de telégrafos da Inglaterra nessa época, William H. Preece
defendeu as antigas fórmulas empíricas de William Thomson, que levavam em conta
apenas a resistência Resistência:
medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento de converter energia elétrica
em calor, quando percorrido por corrente elétrica. A unidade de medida é ohm
R e a capacitância Capacitância: 1. impedância de um circuito que se comporta como um condensador; capacidade elétrica 2. razão entre a carga armazenada em um dos dois condutores que constituem o capacitor e a diferença de potencial existente entre os mesmos; capacidade elétrica. C dos fios.
Sua fórmula dizia que uma linha só poderia ser usada quando C.R fosse menor que 15.000.
Porém, mesmo após verificar que, em certos casos, as linhas podiam ser usadas com
C.R superior a 50.000, não houve suspeita de que a teoria de Preece estivesse errada.
1.2. Pesquisas sobre as bobinas de carga
A análise das bobinas Bobina: uma
ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada
para criar um fluxo magnético de carga foi um problema científico altamente
complexo, que só podia ser resolvido por pesquisadores com grande conhecimento sobre
a teoria eletromagnética. Os primeiros inventores do grupo Bell, sem formação científica,
não tinham esse tipo de conhecimento; eram dotados de grande capacidade de trabalho
e criatividade, porém, com esta limitação.
O primeiro cientista, propriamente dito, contratado pela empresa de Bell foi Hammond
V. Hayes que trabalhou lá de 1885 a 1907. Doutor em Física, formado por excelentes
universidades como Harvard University e massa Massa: quantidade de matéria de um corpo. chusetts
Institute of Technology, dedicou-se à solução de muitos problemas, especialmente
o da instalação de baterias elétricas nas centrais telefônicas
Central Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos
destinados ao estabelecimento de chamadas , o que eliminou
a necessidade de baterias em todas as casas. Este processo se generalizou em torno
de 1900 quando Hayes aperfeiçoou o sistema telefônico, sem resolver, entretanto,
os problemas como as transmissões à longa distância.
Pouco tempo depois, em 1890, a empresa de Bell contratou outro cientista: John Stone
Stone. Ele havia estudado com Rowland (físico norte-americano) e conhecia profundamente
o trabalho de Heinrich Hertz, as ondas
Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço ou num meio material
eletromagnéticas Eletromagnético:
ver Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio.
Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades
de um ímã. e os estudos teóricos de Heaviside, usando inclusive,
alguns de seus resultados para reduzir o ruído das linhas telefônicas. Desde 1893
estava convencido de que era necessário aumentar a indutância
Indutância: tipo de \ inércia Inércia: propriedade de um corpo de permanecer em repouso ou em
movimento uniforme, na mesma linha reta ou direção, enquanto não intervém uma força
que altere esse estado. eletromagnética\. A propriedade de um circuito
elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com que uma força eletromotriz seja
gerada pelo processo de indução eletromagnética. das linhas,
sugerindo o uso de bobinas Bobina:
uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético em intervalos regulares
nas linhas telefônicas.
Porém, não chegou a instalar este sistema, pois tinha dúvidas a respeito de sua viabilidade,
tanto em relação ao aumento de custos quanto de resistência
Resistência: medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento
de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente elétrica.
A unidade de medida é ohm elétrica. Receava também que as bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de
forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
de uma linha causassem interferência nas outras, o que,
aliás, já havia sido observado em alguns casos. Nas centrais
telefônicas Central Telefônica: local onde estão instalados os
equipamentos destinados ao estabelecimento de chamadas , existia
uma série de transformadores Transformador:
máquina elétrica usada em corrente alternada . Transforma o valor da tensão, por
exemplo, de 220 Volt para 24 Volt, ou vice-versa que ficavam próximos
uns dos outros, recebendo sinais de alta voltagem e baixa corrente dos vários assinantes,
transformando-os em baixa voltagem e alta intensidade de corrente nos receptores.
A presença de muitos transformadores
Transformador: máquina elétrica usada em corrente alternada . Transforma o valor
da tensão, por exemplo, de 220 Volt para 24 Volt, ou vice-versa
próximos fazia com que eles se afetassem mutuamente, produzindo “linhas cruzadas”,
ou seja, uma pessoa podia ouvir o que as outras conversavam.
Em 1893, A. N. Mansfield fez os primeiros testes de colocação de bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de
forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
ao longo da linha telefônica que ia de Nova Iorque a Chicago, nos EUA.
A tentativa, porém, não foi bem planejada, porque Mansfield não conhecia bem a teoria
e, por isso, analisou precariamente as características necessárias às bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de
forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
e as distâncias em que deveriam ser colocadas. Não é preciso dizer
que os resultados foram negativos.
George A. Campbell foi um terceiro importante pesquisador contratado pela empresa,
no final de 1897. Seu primeiro desafio, passado por Hayes, foi o de estudar os arranjos
necessários à instalação de baterias nas centrais telefônicas
Central Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos
destinados ao estabelecimento de chamadas , substituindo as
baterias existentes em cada residência. Em seguida, começou a estudar a colocação
de bobinas Bobina: uma ou mais espiras
de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada para criar
um fluxo magnético de carga nas linhas telefônicas.
Estudou no massa Massa: quantidade
de matéria de um corpo. chusetts Institute of Technology, e lá aprendeu
a teoria de Heaviside, no entanto, não tinha clareza sobre a aplicação da teoria.
Poderia aumentar a indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética".
A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com
que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
de um fio enrolando-o na forma de uma bobina ou
solenóide Solenóide: constituído por
um fio metálico enrolado em espiras paralelas, como em uma mola, e muito próximas,
induz variações eletromagnéticas em um circuito , mas via que, se
todo fio entre duas cidades tivesse essa forma, os gastos seriam enormes e a resistência Resistência: medida que caracteriza a propriedade
que tem um elemento de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por
corrente elétrica. A unidade de medida é ohm elétrica cresceria
tanto que talvez anulasse o efeito positivo do aumento da indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética".
A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com
que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
, como Stone
temia. Campbell imaginou então que seria possível colocar algumas bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de
forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
ao longo do fio, ao invés de uma única, de um extremo ao outro da
linha. Heaviside já havia sugerido esta possibilidade em 1893, sem, no entanto,
estudar detalhadamente suas conseqüências.
Saiba mais...
De acordo com a teoria de Heaviside, a atenuação "A" de um sinal depende principalmente
da resistência Resistência: medida
que caracteriza a propriedade que tem um elemento de converter energia elétrica
em calor, quando percorrido por corrente elétrica. A unidade de medida é ohm
"R", da capacitância Capacitância: 1. impedância de um circuito que se comporta como um condensador; capacidade elétrica 2. razão entre a carga armazenada em um dos dois condutores que constituem o capacitor e a diferença de potencial existente entre os mesmos; capacidade elétrica. "C" e da indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética".
A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com
que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
"L" da linha (por unidade de comprimento), de acordo
com a fórmula:
Podendo, portanto, diminuir a atenuação "A" reduzindo a
resistência Resistência: medida que caracteriza a propriedade que
tem um elemento de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente
elétrica. A unidade de medida é ohm "R" e a capacitância Capacitância: 1. impedância de um circuito que se comporta como um condensador; capacidade elétrica 2. razão entre a carga armazenada em um dos dois condutores que constituem o capacitor e a diferença de potencial existente entre os mesmos; capacidade elétrica. "C", ou aumentando
a indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética".
A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com
que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
"L" da linha.
Esta fórmula foi pensada, considerando linhas homogêneas, ou seja, com as mesmas características
em todos os pontos. Ao introduzir bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético , espaçadas entre si na
linha, a equação de Heaviside poderia não funcionar mais – e até então, não havia
uma fórmula para o caso de bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético intercaladas no fio.
Durante os três últimos anos do século XIX, Stone, Campbell e Hayes trabalharam para
melhorar a qualidade dos cabos telefônicos. Stone percebeu um problema que ainda
não havia sido notado: ao conectar cabos e fios de diferentes tipos, ou seja, com
diferentes propriedades elétricas, os sinais telefônicos podiam encontrar dificuldades
em passar totalmente pelo ponto de união entre eles, pois uma parte do sinal telefônico
é refletido, reduzindo muito a eficiência da linha.
Saiba mais...
Duas comparações podem ajudar a esclarecer o problema. Quando a luz passa do ar para
a água ou por um vidro, uma parte dela é refletida na superfície de separação. A
luz só não é refletida ao passar de uma substância transparente para outra, quando
ambas têm o mesmo índice de refração. Algo semelhante ocorre com as ondas Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço
ou num meio material produzidas em cordas e molas. Se amarrarmos
uma corda fina em uma corda grossa e produzirmos nela uma onda, uma parte dela será
refletida ao chegar na emenda entre as cordas. Para que o im
pulso Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida
de um rápido retorno ao nível anterior não seja refletido,
é preciso que a densidade das duas cordas - massa Massa: quantidade de matéria de um corpo. por comprimento
- seja igual.
No caso dos sinais telefônicos, a condição básica para que o sinal passe de um cabo
ao outro sem reflexão é, igualmente, que ambos os lados tenham a mesma impedância Impedância: medida da capacidade de resposta
de um circuito elétrico percorrido por uma corrente alternada
– característica elétrica que depende da resistência Resistência: medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento
de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente elétrica.
A unidade de medida é ohm , capacitância Capacitância: 1. impedância de um circuito que se comporta como um condensador; capacidade elétrica 2. razão entre a carga armazenada em um dos dois condutores que constituem o capacitor e a diferença de potencial existente entre os mesmos; capacidade elétrica. e indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética". A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética.
dos dois sistemas.
Quando há uma corrente contínua em um fio, temos a seguinte relação:
I = V / R
Quando a corrente é alternada, vale uma relação bastante semelhante, mas no lugar
da resistência Resistência: medida
que caracteriza a propriedade que tem um elemento de converter energia elétrica
em calor, quando percorrido por corrente elétrica. A unidade de medida é ohm
"R" é utilizada a impedância Impedância:
medida da capacidade de resposta de um circuito elétrico percorrido por uma corrente
alternada "Z". Então temos:
I = V / Z
A impedância Impedância: medida
da capacidade de resposta de um circuito elétrico percorrido por uma corrente alternada
é dada por uma fórmula complicada e depende da freqüência "f" da corrente
alternada. Quando a capacitância Capacitância: 1. impedância de um circuito que se comporta como um condensador; capacidade elétrica 2. razão entre a carga armazenada em um dos dois condutores que constituem o capacitor e a diferença de potencial existente entre os mesmos; capacidade elétrica. é baixa, a fórmula é esta:
Essas fórmulas são válidas quando a indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética". A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética. está distribuída uniformemente
pela linha. No caso de bobinas Bobina:
uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético espaçadas regularmente pela
linha, a fórmula é totalmente diferente. Em meados de 1899, Campbell conseguiu calcular
o comportamento da linha com bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético distribuídas, estabelecendo
que: se as bobinas Bobina: uma ou
mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada
para criar um fluxo magnético estiverem distribuídas a distâncias
bastante inferiores ao menor comprimento de onda dos sinais telefônicos, o resultado
será satisfatório. Ou seja, quatro ou cinco bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
por comprimento de onda era uma solução razoável, com dez, o resultado era praticamente
o mesmo da distribuição contínua de indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética". A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética..
Uma parte do estudo de Campbell foi teórica e, apenas em 1899, tiveram início seus
testes e experimentações introduzindo 5 bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
por milha em uma linha de 20 milhas
Milha: originalmente uma medida linear usada pelos romanos equivalente a 1.000 passos.
Hoje equivale a 1.609 metros ou seja, 100 bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
em uma linha de 32 km.
Comparando a linha experimental com as bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético a uma
linha de mesma resistência Resistência:
medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento de converter energia elétrica
em calor, quando percorrido por corrente elétrica. A unidade de medida é ohm
sem elas, os pesquisadores puderam observar que a transmissão havia melhorado
muito e que os resultados eram bem próximos das previsões teóricas. Isso lhes deu
grande confiança no sistema e na teoria de Heaviside que passava a ser adaptada
aos problemas práticos da telefonia, de maneira independente pelos pesquisadores:
Michael I. Pupin e George A. Campbell, pesquisador da American Telephone & Telegraph
(AT&T) – empresa sucessora da Bell.
A idéia de colocar bobinas Bobina:
uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético em intervalos regulares, aumentando
a indutância Indutância: tipo de "inércia eletromagnética". A propriedade de um circuito elétrico ou de dois circuitos vizinhos, que faz com que uma força eletromotriz seja gerada pelo processo de indução eletromagnética. da linha, foi patenteada pelo físico inglês Sylvanus Thompson em 1891,
o que fez um especialista em patentes da própria AT&T acreditar, em 1899, que não
seria possível patentear o sistema de Campbell.
Thompson que pensou na colocação de bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético conectando
pares de fios telefônicos, ao invés de intercalá-las em série, não determinou as
propriedades e o espaçamento necessário às bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
.
Campbell estudou detalhadamente a teoria das linhas de transmissão, obtendo seu título
de doutor na Universidade de Harvard em 1901 com um trabalho sobre o tema. Porém,
antes que chegasse a resultados práticos definitivos, Pupin obteve uma patente para
o método.
Idvorsky Pupin, professor da Universidade da Columbia estudou, independentemente de
Campbell, as bobinas Bobina: uma ou
mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada
para criar um fluxo magnético de carga e, em maio de 1900, submeteu
um pedido de patente desse sistema que lhe foi concedida no mês seguinte.
Em junho de 1900, a AT&T, tomando conhecimento da patente de Pupin, tentou anulá-la,
alegando que Campbell já havia desenvolvido um sistema semelhante. Percebendo que
isso não seria possível, a AT&T fez um acordo e comprou a patente de Pupin por 185
mil dólares iniciais, mais 15.000 dólares anuais, durante os 17 anos de sua validade.
A empresa chegou a pagar quase meio milhão de dólares pela patente, o que foi rapidamente
recuperado: a AT&T lucrou um milhão de dólares com a instalação do sistema apenas
em Nova Iorque.
1.3 Utilização das bobinas de carga
Passar a teoria para a prática foi um grande desafio, pois, dentre muitos outros motivos,
era preciso que as bobinas Bobina:
uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético tivessem características
adequadas, como por exemplo: fios de baixa resistência Resistência: medida que caracteriza a propriedade que tem um elemento
de converter energia elétrica em calor, quando percorrido por corrente elétrica.
A unidade de medida é ohm elétrica, ou seja, que não fossem muito
finos, e núcleo de um material magnético que funcionasse bem com as correntes elétricas
variáveis do sinal telefônico. Como estas bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
não existiam, foi preciso inventá-las.
Com isso, surgiram problemas secundários como linhas cruzadas, grandes “vazamentos”
de energia, perigos com raios, reflexão das ondas Onda: campo eletromagnético que se propaga no espaço ou num meio
material nas conexões entre as linhas com e sem carga, e nos aparelhos
telefônicos, todos criados pelas bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético .
Pupin sugeriu que fossem usadas, ao invés das bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
cilíndricas, bobinas Bobina: uma ou
mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada
para criar um fluxo magnético toroidais - em forma de pneu - com
diâmetro de aproximadamente 10 cm, colocadas a uma distância de no mínimo uma, no
máximo três milhas Milha: originalmente
uma medida linear usada pelos romanos equivalente a 1.000 passos. Hoje equivale
a 1.609 metros , uma da outra, aumentando a carga das linhas telefônicas.
O objetivo com isso, era fazer com que o campo magnético ficasse “preso” dentro
do núcleo, impedindo assim que uma bobina influenciasse nas outras. Isso, de fato,
melhorou muito seu funcionamento, o que motivou a adoção deste formato para todo
o sistema.
Em 1903, os principais detalhes de utilização das bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
de carga estavam resolvidos, e o planejamento das linhas feito de forma eficiente
e econômica, permitindo que, mesmo tendo sido pensado para linhas telefônicas de
longa distância, o sistema fosse usado também nas redes urbanas, até então pequenas.
Os cabos telefônicos subterrâneos possuíam uma série de vantagens, mas ainda eram
inviáveis para a transmissão de sinais telefônicos a grandes distâncias, pois perdiam
força rapidamente. Em 1904, este problema foi solucionado, também por meio das bobinas Bobina: uma ou mais espiras de
fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada para criar um
fluxo magnético de carga, que permitiram a transmissão subterrânea
de sinais telefônicos para maiores distâncias, com fios mais finos e com grande
melhoria na qualidade do som. Tudo isso resultou em grande economia para as empresas
de telefonia que chegaram, em alguns casos, a cortar pela metade seus custos e,
em outros, a um quarto do preço dos cabos sem bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
de carga.
Em 1911, foi possível conectar as cidades de Nova Iorque e Denver por telefone, e
com isso, verificar que, mesmo com as bobinas Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica
ou de toróide (argola), empregada para criar um fluxo magnético
, o sinal telefônico se enfraquecia ao alcançar determinada distância, sendo necessário
recorrer ao uso de fios de cobre com a grossura de um lápis para fazer tal transmissão.
Não é preciso dizer que isso encareceu bastante a estrutura.
O único modo de atingir distâncias maiores foi produzindo um tipo de repetidor telefônico
que não transmitisse ou criasse ruídos e distorções graves, o que só foi possível
após o desenvolvimento da eletrônica.
Os estudos na área da eletrônica tiveram início no começo do século XX e em 1906 Lee
de Forest desenvolveu os primeiros tubos de vácuo que permitiam amplificar uma corrente
elétrica, cuja evolução, em 1912, foi os chamados “tríodos”, as primeiras “válvulas
eletrônicas” que funcionaram razoavelmente.
Posteriormente, sob a coordenação de Harold D. Arnold, alguns engenheiros se juntaram
para pesquisar o tema. Como resultado da pesquisa, em 1915, foi inaugurada a primeira
linha telefônica que usava as válvulas eletrônicas para amplificar os sinais. Apesar
da grande melhoria na comunicação a distância trazida pela pesquisa e pelos experimentos,
o uso de dispositivos eletrônicos se generalizou somente na década seguinte.
Durante toda a década de 1910, foram desenvolvidas técnicas eletrônicas que, somente
na década de 1920, substituíram as bobinas
Bobina: uma ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola),
empregada para criar um fluxo magnético de carga nas linhas de longa
distância. As bobinas Bobina: uma
ou mais espiras de fio, em geral de forma cilíndrica ou de toróide (argola), empregada
para criar um fluxo magnético , entretanto, não desapareceram; continuaram
a ser usadas nas linhas subterrâneas de curta distância durante décadas, pois melhoraram
muito a transmissão de sinais telefônicos nos cabos.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
Centrais Telefônicas manuais
As centrais telefônicas Central
Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos destinados ao estabelecimento
de chamadas são, basicamente, sistemas que permitem ligar dois telefones
da rede telefônica Rede Telefônica:
conjunto de fios e centrais telefônicas, que se comunicam entre si.
entre si.
Quando uma pessoa faz uma chamada, a central telefônica estabelece uma ligação elétrica
entre o par de fios que vem do telefone que está chamando com o do telefone que
está sendo chamado, tornando possível a conversa entre essas duas pessoas.
As centrais telefônicas Central
Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos destinados ao estabelecimento
de chamadas mais antigas eram manuais, isto é, tudo era feito pelas telefonistas,
que recebiam as chamadas e faziam as ligações elétricas necessárias.
Na central havia, então, tantos pares de fios quanto telefones nela instalados, que
vinham de diversas residências (ou escritórios) e ficavam ligados a interruptores
ou tomadas em um painel de controle.
Ao terminarem a conversa, as pessoas colocavam seus fones de volta ao corpo do aparelho,
porém seus fios continuavam ligados na central telefônica. Nas centrais mais antigas,
a telefonista precisava ouvir as conversas, de vez em quando, para ver se já tinham
terminado e só então, desligar as duas linhas. Já nas mais modernas, dispositivos
como lâmpadas que acendiam, ou janelinhas que se abriam na mesa da telefonista,
avisavam quando as pessoas haviam desligado seus aparelhos.
Quando uma pessoa queria falar com outra, no final do século XIX, era preciso chamar
a telefonista, enviando um sinal para a central, usando a manivela do telefone.
Na central, é claro, esse sinal não poderia acionar uma campainha, pois o terrível
barulho não teria fim. Por isso, usava-se um sistema em que a tampa de uma pequena
janela se abria, identificando o assinante que desejava fazer a ligação. Assim,
a telefonista se conectava para saber com quem o assinante desejava falar, estabelecendo
em seguida, a ligação solicitada.
Esse tipo de painel com janelas de aviso foi inventado antes do telefone e era usado
por estabelecimentos como, por exemplo, hotéis de luxo.
Nas centrais telefônicas Central
Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos destinados ao estabelecimento
de chamadas , juntamente com o painel de aviso, havia um sistema que
permitia ao operador atender às chamadas das pessoas e conectá-las com os telefones
desejados. O primeiro painel comercial para comutação Comutação: operação necessária para fazer conexão entre dois circuitos,
estabelecendo a comunicação telefônica entre duas ou mais estações
de linhas telefônicas, feito em 1878, era bastante primitivo, podendo atender apenas
8 assinantes e fazendo apenas 4 ligações por vez.
Sistema de Bateria Central
Uma evolução do sistema de ligação a magneto, e que convive até a segunda metade do século XX com os telefones automáticos, é o de bateria central. Tem este nome pois o sistema de baterias que energiza o circuito telefônico ficava na central telefônica, dispensando as enormes pilhas dos aparelhos residenciais.
Quando uma pessoa queria fazer uma ligação, ela tinha apenas que tirar a parte móvel do telefone do corpo do aparelho, que ficava na mesa ou na parede, deixando assim, de pressionar o interruptor que, funcionando de maneira oposta aos botões da campainha, permitia que a corrente elétrica passasse, chegando até a central telefônica.
Os fios desse telefone estavam ligados a um dispositivo de sinalização no painel da central. Assim, quando a pessoa pegava o fone para falar, aparecia um sinal no painel da telefonista, uma pequena janela (drop) ou lâmpada, indicando que alguém queria fazer uma ligação.
A partir daí, o processo se assemelhava ao do magneto. Por meio de interruptores ou conectores semelhantes aos de fones de ouvido, os "jacks", a telefonista ligava seu próprio aparelho telefônico aos fios daquela linha e, conversando com a pessoa que havia feito a ligação, pedia o número com o qual gostaria de falar. Solicitava que esperasse e, através dos jacks, ligava os fios do telefone a ser chamado em um dispositivo que acionava sua campainha. Quando a segunda pessoa atende - tirando o fone do corpo do aparelho - a campainha é desligada e seu telefone é ligado à telefonista. Ela, por sua vez, informa que a primeira pessoa deseja falar e sai da linha, completando a ligação. Finalmente, as duas pessoas conseguem conversar diretamente, liberando a telefonista para cuidar de outras ligações.
Como funcionava???
Quando um hóspede desejava chamar um funcionário, apertava um botão que enviava um sinal elétrico a um painel, na portaria do hotel, mostrando o número do quarto a ser atendido. Imediatamente, um funcionário subia ao quarto para verificar o que o hospede precisava.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
Centrais Automáticas Passo a Passo
Pouco tempo após a invenção do telefone e das centrais de comutação Comutação: operação necessária para fazer conexão
entre dois circuitos, estabelecendo a comunicação telefônica entre duas ou mais
estações , surgiu a idéia de automatizar as ligações entre as várias
linhas existentes. Ou seja, a pessoa que desejasse telefonar, acionava mecanismos
que enviavam sinais elétricos à central automática, ligando seu aparelho ao telefone
da pessoa com quem desejava falar sem a ajuda das telefonistas.
Em 1879, os irmãos Thomas e Daniel Connelly, juntamente com Thomas J. McTighe, patentearam
o primeiro sistema em que um usuário podia controlar um mecanismo de comutação Comutação: operação necessária para fazer conexão
entre dois circuitos, estabelecendo a comunicação telefônica entre duas ou mais
estações à distância.
Como funciona...
O aparelho, bastante primitivo, baseava-se nos telégrafos ABC de Wheatstone (físico
inglês) e nunca chegou a ser usado. A parte principal do sistema era uma roda dentada,
semelhante às usadas em relógios, que movida por um eletroímã
Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado
por um fio. Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando
as mesmas propriedades de um ímã , percorria o espaço de um
“dente” por vez.
Quando o eletroímã Eletroímã: ímã
que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio. Quando a corrente
atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades de um
ímã recebia um pulso Pulso:
mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao nível
anterior elétrico, atraía uma barra metálica que fazia a roda dentada
girar um “espaço”, movendo um braço de metal que, transmitia os pulsos Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente,
seguida de um rápido retorno ao nível anterior elétricos sucessivamente
e estabelecia contato com as demais linhas.
Em 1884, Ezra Gilliland, da companhia Bell, desenvolveu um sistema de comutação Comutação: operação necessária para fazer conexão
entre dois circuitos, estabelecendo a comunicação telefônica entre duas ou mais
estações automática mais simples, porém semelhante ao dos irmãos
Connely e McTighe que podia trabalhar com até 15 linhas. Nesse sistema, que também
não chegou a ser usado na prática, havia um contato metálico que pulava de uma posição
para outra, quando o usuário apertava um botão, determinando o tipo de conexão que
era estabelecida.
No entanto, um avanço realmente importante e surpreendente, ocorreu em 1889, quando
um agente funerário Almon B. Strowger, da cidade de Kansas, desenvolveu um sistema
de comutação Comutação: operação necessária
para fazer conexão entre dois circuitos, estabelecendo a comunicação telefônica
entre duas ou mais estações automático que realmente funcionava.
O Sistema Automático Strowger
Conta a história que Strowger desconfiava que as telefonistas desviavam, propositalmente,
as ligações destinadas a ele para um outro agente funerário, seu concorrente. Por
isso, resolveu inventar um sistema que dispensasse o intermédio delas.
Após vários estudos e tentativas, Strowger construiu, com a ajuda de um relojoeiro,
um sistema que atenderia 100 linhas telefônicas, que foi patenteado em 1891. A invenção
deu tão certo que, no mesmo ano, Strowger fundou a Automatic Electric Company para
comercializá-la.
A primeira central telefônica automática a usar o sistema de Strowger, foi aberta
em 1892 em La Porte, em Indiana, EUA. Na década que seguiu, foram instaladas mais
de 70 centrais destas nos Estados Unidos.
O que Strowger fez foi aperfeiçoar os aparelhos anteriores, com uma diferença bastante
importante: o sistema se movia dentro de um cilindro podendo girar, tanto em torno
de seu eixo, como também para cima e para baixo.
Como funciona...
O cilindro tinha, em sua parte interna, 10 fileiras com 10 contatos metálicos cada
uma, totalizando 100 contatos. A “vassoura” ou “escova” metálica central podia então
se deslocar facilmente e escolher um dos 100 contatos que representavam, cada um
deles, uma linha telefônica.
O dispositivo existente na própria central telefônica, que faz as conexões entre as
linhas.
O dispositivo colocado nos aparelhos dos usuários que enviam os sinais à central,
informando o número do telefone com o qual se quer fazer conexão.
Inicialmente, o funcionamento era bem diferente: o usuário tinha dois botões na caixa
do telefone que deviam ser pressionados um certo número de vezes para chamar o número
desejado. Por exemplo, para se conectar ao telefone número 34, era preciso apertar
o primeiro botão 3 vezes e o segundo botão 4 vezes. Ao apertar cada um dos botões,
um pequeno pulso Pulso: mudança rápida
de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao nível anterior
elétrico era enviado à central telefônica, fazendo a roda “dentada” se mover
um passo e acionar o aparelho de telefone desejado.
Como funciona...
Quando uma pessoa queria telefonar para outra, ela tirava o telefone do gancho Gancho: suporte para o fone que opera o telefone
pela retirada ou recolocação , conectando-se assim à central telefônica,
e depois apertava os botões do seu aparelho.
Na central, o dispositivo ligado ao aparelho que fazia a chamada se movia na direção
vertical e, depois na rotatória, girando dente por dente até fazer a conexão com
o número desejado.
Em seguida, a pessoa que chamava girava a manivela do magneto, acionando a campainha
do outro aparelho.
Durante toda a conversa, o dispositivo Strowger se mantinha na mesma posição, ligando
as duas linhas na central telefônica. Ao final, era preciso apertar um botão que
fazia o dispositivo voltar a sua posição original. Se a pessoa não apertasse esse
botão, as linhas continuavam conectadas.
O dispositivo original de Strowger era capaz de conectar apenas uma das 100 linhas
telefônicas. Seria possível construir cilindros com maior número de contatos, o
que era, obviamente, mais complexo do ponto de vista técnico.
Além dessa limitação, havia alguns outros problemas: para cada aparelho de telefone
ligado à central, era preciso conectar grande quantidade de fios. Além dos que transmitiam
a voz e dos que enviavam os sinais elétricos, eram necessários vários outros fios
para mover o dispositivo automático, o que encarecia bastante o sistema devido ao
custo da fiação na época.
Cada aparelho de telefone conectado à rede precisava de seu próprio dispositivo na
central, que também eram caros e ficavam durante a maior parte do tempo parados,
devido ao pouco uso que se fazia do telefone na época.
Um outro problema era que não havia um mecanismo que impedisse uma pessoa de conectar-se
a um telefone que estivesse sendo usado. Com isso, ela podia ouvir e se intrometer
na conversa, o que não acontecia nas centrais com telefonistas, que sempre verificavam
se a linha estava ocupada.
Por fim, o problema estava na cabeça das pessoas que, ao terminar a conversa, deveriam
lembrar-se de apertar um botão, fazendo com que o dispositivo Strowger, voltasse
à posição inicial; porém, isso nunca acontecia.
Como funciona a comutação automática
O aspecto essencial das centrais telefônicas Central Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos
destinados ao estabelecimento de chamadas automáticas é a possibilidade
de manipular interruptores elétricos à distância para conectar duas linhas telefônicas.
Os dois dispositivos básicos das centrais telefônicas Central Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos
destinados ao estabelecimento de chamadas que precisam ser compreendidos
são os seletores, com motores de passo, e os relês Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que causa mudanças
bruscas no circuito elétrico .
Seletores com motores de passo
Em algumas das antigas centrais telefônicas Central Telefônica: local onde estão instalados os equipamentos
destinados ao estabelecimento de chamadas automáticas ou eletromecânicas,
a conexão entre uma linha e outra era feita por meio de interruptores que giravam,
movendo pequenas peças de metal e mudavam de posição, fazendo com que estas peças
encostassem em diferentes terminais, transmitindo os pulsos
Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um
rápido retorno ao nível anterior elétricos e conectando às
diferentes linhas existentes.
É fácil compreender a estrutura de um interruptor giratório de várias posições, observando
seus contatos elétricos. Difícil é entender a forma de controle da rotação desse
dispositivo, que era feito por meio do chamado ‘motor de passo’, mecanismo acionado
pelos sinais elétricos enviados por cada telefone para a central.
Para entender o papel de cada um destes dispositivos, vamos pegar como exemplo os
também antigos relógios de pêndulo. Não é novidade pra ninguém que para um relógio
funcionar bem seus ponteiros devem se mover na velocidade certa. Nos relógios antigos,
fazê-los girar corretamente era função do pêndulo que, a cada oscilação, dava um
pequeno empurrão na roda dentada. Esta roda, bastante parecida com uma coroa, era
o dispositivo que controlava os ponteiros e que só poderia girar um dente a cada
ida e a cada volta do pêndulo.
Agora, imagine um sistema parecido com esse, só que se no lugar de um pêndulo houvesse
uma pequena barra de ferro parada próxima a um eletroímã
Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado
por um fio. Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando
as mesmas propriedades de um ímã . Quando uma corrente elétrica
passava pelo eletroímã Eletroímã:
ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio. Quando a corrente
atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades de um
ímã , ele atraia a barra de ferro que só volta a sua posição inicial
com o fim dessa corrente. A cada movimento da barra de ferro, a roda dentada girava
um dente. Se ligássemos e desligássemos esta corrente algumas vezes, a barra de
ferro faria a roda dentada girar o mesmo número de dentes. Isto tornava possível
que cada pessoa, por meio dos botões, emitisse sinais elétricos que faziam a roda
chegar à posição desejada. Ou seja, apertando um botão 3 vezes, por exemplo, a roda
dentada percorria 3 espaços.
O movimento da roda dentada era controlado à distância, por meio da eletricidade,
bastando que houvesse uma pilha ligada a um interruptor capaz de fazer a conexão
com cada um dos terminais.
Relês
Outro tipo de dispositivo importante é o relê Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que causa mudanças
bruscas no circuito elétrico , um tipo de interruptor que liga ou desliga
a conexão entre dois aparelhos quando a eletricidade passa por um eletroímã Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço
de metal enrolado por um fio. Quando a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza
apresentando as mesmas propriedades de um ímã , movimentando
duas placas metálicas que se encostam e se separam. Existem vários tipos de relês Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que
causa mudanças bruscas no circuito elétrico .
Em alguns deles, a placa de ferro que é atraída, encosta em um contato e permite a
passagem da eletricidade, que é interrompida quando o eletroímã é desligado.
Em outros, há dois eletroímãs que, puxando a placa de ferro para um lado ou para o
outro, permitem a passagem da corrente elétrica e estabelecem o contato. Ao enviar
um segundo pulso Pulso: mudança rápida
de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao nível anterior
de eletricidade para o relê Relê:
dispositivo operado por corrente elétrica que causa mudanças bruscas no circuito
elétrico , um eletroímã
Eletroímã: ímã que consiste em geral num pedaço de metal enrolado por um fio. Quando
a corrente atravessa o fio, o metal se magnetiza apresentando as mesmas propriedades
de um ímã atua sobre o segundo, movendo a placa de ferro na
direção contrária e, assim, interrompendo o contato.
Há também relês Relê: dispositivo
operado por corrente elétrica que causa mudanças bruscas no circuito elétrico
com dois contatos. Quando a placa de ferro é atraída para um lado, ela estabelece
uma ligação elétrica com um deles. Quando é atraída para o outro lado, faz contato
com o outro .
Um sistema de relês Relê: dispositivo
operado por corrente elétrica que causa mudanças bruscas no circuito elétrico
recebe sinais elétricos e estabelece uma ligação telefônica. Podem estar em duas
posições: “ligados” ou “desligados”. Quando um relê Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que causa mudanças
bruscas no circuito elétrico desse tipo está desligado, não deixa
passar eletricidade, mas, se receber um pulso Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido
retorno ao nível anterior elétrico, ele liga e permanece ligado
como o interruptor de parede que apertamos e fica ligado.
Se um relê Relê: dispositivo operado
por corrente elétrica que causa mudanças bruscas no circuito elétrico
estiver ligado e receber um pulso
Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao
nível anterior , ele o transmite para o relê
Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que causa mudanças
bruscas no circuito elétrico seguinte que fica ligado
e, logo em seguida, se desliga.
Agora, imagine uma seqüência de vários relês Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que causa mudanças
bruscas no circuito elétrico desse tipo, em que o primeiro está inicialmente
ligado e, todos os outros, desligados. Se esse sistema receber vários pulsos Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente,
seguida de um rápido retorno ao nível anterior elétricos, cada
relê Relê: dispositivo operado por
corrente elétrica que causa mudanças bruscas no circuito elétrico
irá desligar e transmitir o pulso
Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao
nível anterior recebido para ligar o seguinte. Ou seja, com o primeiro
pulso Pulso: mudança rápida de uma
tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao nível anterior
, o primeiro relê Relê: dispositivo
operado por corrente elétrica que causa mudanças bruscas no circuito elétrico
se desliga, ligando o segundo. Com o próximo pulso Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido
retorno ao nível anterior , o segundo relê Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que causa mudanças
bruscas no circuito elétrico se desliga, acionando o terceiro,
e assim por diante. Uma seqüência de pulsos
Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao
nível anterior elétricos vai “escolher” qual dos
relês Relê: dispositivo operado por corrente elétrica que causa
mudanças bruscas no circuito elétrico ficará ligado
conduzindo a corrente elétrica.
Se cada um deles controlar uma ligação elétrica diferente, será possível, enviando
sinais elétricos de um ponto distante, escolher qual das ligações será feita.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
Sistema de discagem
Nos primeiros telefones ligados a centrais automáticas, a discagem de um número era
feita apertando-se um botão várias vezes, sistema que foi substituído posteriormente
pelos discos.
Aperfeiçoamentos do sistema Strowger
Entre 1892 e 1894, Strowger, inventor das primeiras centrais automáticas, contratou
Anthony E. Keith, Frank A. Lundquist e os irmãos John e Charles Erickson - que não
tinham qualquer relação com o sueco Ericsson - para ajudá-lo a aperfeiçoar o seu
sistema automático. De fato, foram estas pessoas, e não o próprio inventor que aprimoraram
o sistema, pois em 1896, Strowger teve problemas de saúde, afastando-se da companhia,
morrendo em 1902.
Em 1893, Keith resolveu um dos problemas do sistema: agora, não era mais preciso apertar
um botão ao terminar a conversa, bastava colocar o telefone no gancho Gancho: suporte para o fone que opera o telefone
pela retirada ou recolocação para enviar um sinal à central
telefônica que fazia o dispositivo de Strowger - a roda dentada - retornar à posição
inicial. Além disso, Keith, Lundquist e os irmãos Erickson, em 1894, eliminaram
a possibilidade de uma pessoa conectar-se a linhas já ocupadas.
Em 1896, Keith e os irmãos Erickson desenvolveram um sistema que eliminou também a
necessidade de apertar os botões várias vezes, substituído-os por um sistema que
enviava seqüências de pulsos Pulso:
mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um rápido retorno ao nível
anterior do aparelho do usuário para a central: o disco.
Como funciona...
Quando o disco era girado, produzia uma série de pulsos
Pulso: mudança rápida de uma tensão ou corrente, seguida de um
rápido retorno ao nível anterior elétricos por meio de uma mola
que acoplada a ele, acionava duas placas metálicas que ficavam na parte interna
do sistema. Acionadas, as placas que se encostavam e afastavam sucessivamente, funcionavam
da mesma forma que os interruptores de botão quando pressionados várias vezes.
Para discar, uma pessoa tinha que girar o disco até uma posição - de um número e soltá-lo.
Nesse momento, uma mola fazia o disco voltar a sua posição inicial, estabelecendo
uma sucessão de contatos elétricos que, enviados à central telefônica, tinham o
mesmo efeito que o produzido no antigo sistema, quando o primeiro botão era pressionado
um determinado número de vezes. Ao girar o disco pela segunda vez, repetia-se todo
o processo o que equivalia a apertar o segundo botão uma série de vezes. Além de
facilitar a vida dos usuários, este sistema reduziu também o número de fios que
ligavam cada aparelho à central telefônica e com isso, os custos.
É exatamente por causa desses discos que foram usados durante quase um século, que
hoje dizemos “discar um número”, embora grande número dos telefones não possuam
mais discos, e sim teclas.
No mesmo ano em que inventaram o sistema de discagem, o Keith e os Erickson viram
que este sistema possibilitava a ampliação da rede para 1.000 linhas telefônicas.
Para isso, decidiram usar dois dispositivos ao invés de construir um maior. A idéia
era simples: as linhas são divididas em “ troncos Tronco: Meio usado para interligação de centrais telefônicas Um
tronco geralmente processa diversos canais de comunicação simultaneamente
”, cada um com 100 linhas. Se cada tronco usasse 10 dispositivos Strowger de
100 posições, seria possível fazer conexões entre 10 troncos
Tronco: Meio usado para interligação de centrais telefônicas Um
tronco geralmente processa diversos canais de comunicação simultaneamente
atingindo assim a quantidade de 1.000 linhas.
Nesse sistema, o primeiro número discado, aciona um seletor simples - com apenas 10
posições – que estabelece a ligação com um dos 10 troncos
Tronco: Meio usado para interligação de centrais telefônicas Um
tronco geralmente processa diversos canais de comunicação simultaneamente
. Ao conectar-se a este tronco, o aparelho do usuário é ligado a um segundo
dispositivo Strowger, e os dois números discados em seguida, selecionarão a linha
exata com a qual a pessoa deseja falar.
Após a instalação deste sistema, percebeu-se que não há limites para ele, pois é possível
formar 10 grupos de 10 troncos Tronco:
Meio usado para interligação de centrais telefônicas Um tronco geralmente processa
diversos canais de comunicação simultaneamente - totalizando 10.000
linhas, por exemplo, introduzindo mais uma etapa da discagem.
Bibliografia:
- MARTINS, Roberto - A Fundamentação da Telefonia através da História - Parte 1:
Da Invenção ao Início do Século XX (pesquisa realizada para a Fundação
Telefônica, em 2002)
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