Você está em:

Personagens

Alexander Graham Bell
Alexander Graham Bell nasceu no dia 3 de março de 1847, em Edimburgo, na Escócia. Era o segundo dos três filhos do casal Alexander Melville Bell e Eliza Grace Symonds. Sua família tinha tradição e renome como especialista na correção da fala e no treinamento de portadores de deficiência auditiva.

O avô, Alexander Bell, foi sapateiro em St. Andrews, na Escócia. Enquanto consertava sapatos, recitava Shakespeare. Ser ou não ser? Eis a questão. Fazia isso com tanta frequência que, aos poucos, admirado com a própria voz, passou a se dedicar à melhoria da dicção com o valor exato para cada palavra.

Abandonou o ofício de sapateiro e seguiu o caminho do teatro, porém alguns anos no palco foram suficientes para que descobrisse outra profissão; tornou-se professor de elocução e dava conferências dramáticas sobre Shakespeare, desenvolvendo boa prática no tratamento dos defeitos da fala, especializando-se em foniatria.

O pai, Alexander Melville Bell, passou a se interessar não só pelo som das palavras, como também pelas causas desse som. Estudou anatomia - laringe, cordas vocais, boca, etc., criando o que chamava de "fala visível". É autor do livro "Dicção ou Elocução Padrão".

Bell, seu pai e seu avô tinham o mesmo prenome - Alexander. Até os 11 anos, chamava-se apenas Alexander Bell. Até que um dia na escola, a professora sugeriu que adotasse mais um nome para diferenciar-se do avô. Depois de consultar os familiares, optou por Graham, em homenagem a um grande amigo de seu pai.

Aos 14 anos, ele e seus irmãos construíram uma curiosa reprodução do aparelho fonador. Numa caveira montaram um tubo com "cordas vocálicas", palato, língua, dentes e lábios. Com um fole sopravam a traqueia, fazendo a caveira balbuciar "ma-ma", imitando uma criança chorona.

Alexander Graham Bell cresceu assim, em um ambiente rico de estudo da voz e dos sons, o que certamente influenciou no seu interesse nesse campo, além de ter a mãe, que muito jovem ficou surda.

Estudou na Universidade de Edimburgo, onde começou a fazer experimentos sobre pronúncia. Certo dia, um amigo de seu pai falou sobre a obra de um cientista alemão chamado Hermann von Helmholtz, que havia investigado a natureza física dos sons e da voz. Excitado com a novidade, apressou-se em conseguir uma cópia do livro. Só havia um problema: o livro estava escrito em alemão, língua que não entendia. Além disso, trazia muitas equações e conceitos de Física, inclusive relativos à eletricidade, área que tampouco dominava.

Apesar de todas as dificuldades, Bell teve a impressão (por meio de alguns desenhos do livro) de que Helmholtz tinha conseguido enviar sons articulados, como vogais, através de fios, utilizando eletricidade. Na verdade, o que Helmholtz estava tentando fazer era sintetizar sons parecidos com a voz, utilizando aparelhos, e não transmiti-los à distância. Ao contrário do que vocês podem estar pensando, foi exatamente esse engano que fez com que Bell começasse a pensar sobre os modos de enviar a voz à distância por meios elétricos.

Em 1868, em Londres, tornou-se assistente do pai, assumindo seu cargo em tempo integral quando este tinha de viajar aos Estados Unidos para dar cursos.

Nessa época, seus dois irmãos, o mais velho e o caçula, com intervalo de um ano, morreram de tuberculose. As dificuldades econômicas aumentaram e a ameaça da doença, também encontrada em Bell, levou o pai a abandonar a carreira em Londres em seu melhor momento e, em agosto de 1870, mudar-se com a família para o Canadá.

Compraram uma casa em Tutelo Heights, perto de Brantford, província de Ontário, que era conhecida como "Casa Melville" e que hoje é conservada como relíquia histórica com o nome de "solar dos Bell".

O pai de Bell era famoso e foi muito bem recebido no Canadá. Em 1871, recebeu o convite para treinar professores de uma escola de surdos em Boston, nos Estados Unidos, porém, preferindo continuar no Canadá, mandou o filho em seu lugar. Bell passou a ensinar o método de pronúncia desenvolvido por seu pai, treinando professores em muitas cidades além de Boston, pois, nessa época, antes da descoberta dos antibióticos, a surdez era muito mais comum, podendo surgir como resultado de muitas doenças.

Em 1872, abriu sua própria escola para surdos (onde depois conheceu D. Pedro II, em 1876). No ano seguinte, em 1873, tornou-se professor da Universidade de Boston, época em que começa a se interessar por telegrafia e a estudar modos de transmitir sons utilizando a eletricidade.

Por meio de seu trabalho como professor de surdos, A. Graham Bell - como assinava e gostava de ser chamado - conheceu pessoas influentes que, depois, ajudaram-no muito. Um deles foi Thomas Sanders, um rico comerciante de couro que morava em Salem, próximo a Boston, cujo filho - George - foi aluno de Bell. O menino mostrou progressos tão rápidos que Sanders, agradecido, convidou Bell a morar em sua casa. Outra pessoa importante foi Gardiner Greene Hubbard, um advogado e empresário bem-sucedido, que viria a ser seu sogro em 1875.

Em 1898, Bell substituiu o sogro na presidência da National Geographic Society, transformou o velho boletim da entidade na belíssima National Geographic Magazine, semelhante à que temos hoje.

Alexander Graham Bell morreu em sua casa de Baddeck, no Canadá, no dia 2 de agosto de 1922, aos 75 anos.

Muitos conhecem Bell como o inventor do telefone, muito embora hoje já se reconheça que o verdadeiro inventor foi o italiano Antonio Meucci, mas poucos sabem de seus outros feitos. Dê uma olhada na galeria:

Discos de Cera
Para gravação de sons, o que aprimora o fonógrafo de Edison.

Sondas Tubulares
Para exames médicos.

"Colete à Vácuo"
Uma forma primitiva de pulmão-de-aço.

Raios Laser
Foi um dos precursores na descoberta.

Barcos Velozes
Inventor de barcos capazes de superar os 100 quilômetros por hora.

Carneiros
Selecionando raça.

Sistema de localização de icebergs
Desenvolveu sistema semelhante ao sonar.

Fotofone
Inventor do sistema de transmissão de mensagens por meio de raios luminosos de 1887.

Aviação
Foi o primeiro homem a voar num aparelho mais pesado que o ar no Império Britânico em 1907.

Ao longo da sua vida, Bell obteve 18 patentes em seu nome e 12 em conjunto com colaboradores. Desse total, temos os seguintes assuntos:

Telégrafo / Telefone: 14 patentes
Vínculos Aéreos: 5 patentes
Hidroaviões: 4 patentes

Fotofone: 4 patentes
Fonógrafo: 1 patentes
Célula de Selênio: 2 patentes

"Inventor é um homem que olha para o mundo em torno de si e não fica satisfeito com as coisas como elas são. Ele quer melhorar tudo o que vê e aperfeiçoar o mundo. É perseguido por uma ideia, possuído pelo espírito da invenção e não descansa enquanto não materializa seus projetos."

(Palavras de Alexander Graham Bell gravadas numa placa no museu que tem o seu nome, em Baddeck, no Canadá.)

Bibliografia
CAUDURO MARTINO ARQUITETOS ASSOCIADOS. Museu do Telefone. Companhia Litographica Ypiranga, 1977.
MARTINS, ROBERTO - A Fundamentação da Telefonia através da História. Parte 1: Da Invenção ao Início do Século XX. Pesquisa realizada para a Fundação Telefônica, 2002.
RUIZ, ROBERTO - O telefone, uma das mais simples e fabulosas criações do engenho humano. CTB, 1973.
Antonio Meucci
Nascido em Florença, em 1808. Antonio Meucci foi para Cuba, perseguido por suas ideias liberais, e lá viveu por algum tempo. Segundo ele, na época em que vivia em Havana, observou, por acaso, que a voz de uma pessoa podia ser transmitida por um sistema elétrico e, desde então, pôs-se a investigar o fenômeno. Pouco tempo depois, em Nova Iorque, Estados Unidos, desenvolveu um tipo de telefone elétrico, por meio do qual conseguiu estabelecer uma comunicação entre o quarto de sua esposa (que estava doente) e seu laboratório.

Isso significa que entre 1854 e 1855 já havia um aparelho transmissor da voz humana à distância, que funcionava regularmente. Em 1857, Meucci construiu um instrumento eletromagnético que seguia o mesmo princípio empregado, anos depois, por Graham Bell.

Esquema do telefone eletromagnético de Meucci (esquerda), e reconstrução moderna baseada em sua descrição (direita).

O invento de Meucci foi noticiado em 1861 no jornal L'Eco d'Italia, publicado por italianos em Nova Iorque. Que noticiou também, em 1865, seus primeiros experimentos. Por fim, no dia 28 de dezembro de 1871, entrou com uma solicitação preliminar de patente (caveat) de um "teletrofone" - aparelho de transmissão da voz à distância por meio da eletricidade -, não renovando este pedido em 1874 por não ter condições financeiras.

Diagrama de Meucci, mostrando duas pessoas se comunicando pelo seu “telegrafo sonoro”.

Depois que o telefone de Graham Bell se tornou famoso, Antonio Meucci tentou provar que havia inventado o mesmo aparelho anos antes, apresentando documentos e testemunhas. Em 1887, o governo norte-americano entra com pedido de anulação da patente de Bell. No entanto, dois anos depois Meucci morre e, como a patente de Bell expiraria somente em 1893, o processo foi arquivado.

Na Itália, Meucci é considerado o verdadeiro inventor do telefone. Em 2002, finalmente o Congresso norte-americano, através da resolução 269 , também reconhece Antonio Meucci como o verdadeiro inventor do telefone.

No entanto, a bem da verdade, Meucci só teve a quantia suficiente para manter por três anos a patente de um protótipo rudimentar do telefone, isto cinco anos antes da patente de Bell, e ao não renová-la deixou o caminho livre.

Bibliografia
LA PEÑA, JOSÉ DE. Historias de las telecomunicaciones: Cuando todo empezó. 1ª e 2ª ed.. Espanha. Ed. Ariel, 2003.
MARTINS, ROBERTO. A Fundamentação da Telefonia através da História. Parte 1: Da Invenção ao Início do Século XX. Pesquisa realizada para a Fundação Telefônica, 2002.
Resolução 269. Congresso dos Estados Unidos da América, 2002.
Marechal Rondon
Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, perto de Cuiabá, Mato Grosso, em 5 de maio de 1865 (12 dias antes da fundação da União Telegráfica Internacional, hoje União Internacional de Telecomunicações). Aos 90 anos, no dia de seu aniversário, foi promovido ao posto de Marechal, por indicação unânime do Congresso Nacional. Em 26 de abril de 1963, foi escolhido Patrono do Serviço de Comunicações do Exército Brasileiro e, por decisão do Ministério das Comunicações, patrono de todo o setor no país.

Descendente de índios terena, bororo e guaná, Rondon foi um defensor dos indígenas brasileiros. "Morrer, se preciso for. Matar nunca" - esse era o lema do brasileiro que ganhou maior projeção e reconhecimento internacionais por sua vida inteiramente dedicada à exploração pacífica, humanitária e civilizadora dos trópicos.

O Marechal Rondon chefiou diversas missões demarcatórias de fronteiras e percorreu mais de 100 mil quilômetros de sertões, por rios, picadas na floresta, caminhos toscos ou estradas primitivas. Descobriu serras, planaltos, montanhas e rios, elaborando as primeiras cartas geográficas de cerca de 500 mil quilômetros quadrados até então totalmente desconhecidos dos registros nacionais.

Essa área equivale ao dobro da ocupada pelo estado de São Paulo (ou o equivalente à França). Organizador e diretor do Serviço de Proteção ao Índio (antigo SPI, hoje FUNAI - Fundação Nacional do Índio), Rondon não permitia que se cometesse qualquer tipo de violência ou injustiça contra os mais legítimos donos das terras descobertas por Cabral. São suas as seguintes palavras:

"Os índios do Brasil, arrancados à voraz exploração dos impiedosos seringueiros, amparados pelo Serviço (SPI) em seu próprio habitat, não ficarão em reduções, nem em aldeamentos adrede preparados. Assistidos e protegidos pelo governo republicano, respeitados em sua liberdade e independência, nas suas instituições sociais e religiosas, civilizar-se-ão espontaneamente, evolutivamente, mediante a educação prática que por imitação receberem."

Em 1912, foi promovido ao posto de coronel, depois de ter pacificado os índios caingangue e os nhambiquara. O Congresso Universal das Raças, bem como o 18º Congresso Internacional de Americanistas, reunidos em Londres, e a Comissão Parlamentar de Inquérito instituída para apurar as atrocidades praticadas contra os índios peruanos do Potumaio apelaram para os países que contam com populações indígenas em seus territórios, concitando-os a adotarem os métodos protecionistas seguidos pelo Brasil, por iniciativa de Rondon.

Em 1913, ganhou a Medalha de Ouro, "por 30 anos de bons serviços" prestados ao Exército e ao Brasil. Acompanhou o ex-presidente Theodore Roosevelt numa expedição de mais de 3 mil quilômetros pelos sertões de Mato Grosso e Amazonas. No ano seguinte, a Sociedade Geográfica de Nova Iorque conferiu a Rondon o Prêmio Livingstone, medalha de ouro, por suas contribuições ao conhecimento geográfico. A mesma Sociedade Geográfica de Nova Iorque determinou a inclusão do nome de Rondon, em placa de ouro, ao lado de outros grandes descobridores e exploradores da Terra: Pearry (descobridor do Polo Norte), Amundsen (descobridor do Polo Sul), Charcot (explorador das terras árticas), Byrd (explorador das terras antárticas) e, por fim, Rondon, como o maior estudioso e explorador das terras tropicais.

Condecorado e premiado por governos estrangeiros e dezenas de entidades internacionais representativas das Ciências e da Paz, Rondon se tornou uma dessas raras figuras que, em vida, atingem o mais elevado grau de nível de respeito e prestígio por sua obra gigantesca. Mas por que - perguntaríamos - ele se tornou o Patrono das Comunicações?

De 1890 a 1916, Rondon participou das Comissões de Construções de Linhas Telegráficas do Estado de Mato Grosso, que interligaram as linhas existentes do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Triângulo Mineiro à Amazônia (Santo Antônio do Madeira), ou seja, o primeiro esforço de grandes proporções para a integração nacional pelas comunicações. É o próprio Rondon quem escreveu, em seu estudo "Índios do Brasil", edição do Ministério da Agricultura, Conselho Nacional de Proteção aos Índios, publicação nº 98, volume II, página 3:

"Ao terminarem os trabalhos desta última comissão (1916), havíamos dotado Mato Grosso de 4.502,5 quilômetros de linhas telegráficas (...)"

Só no período entre 1907 e 1909, Rondon percorreu 5.666 quilômetros, no trabalho conjunto de construção de linhas telegráficas e de levantamento carto-geográfico da região que forma o atual estado de Rondônia (nome dado em sua homenagem por sugestão de Roquette-Pinto), numa área de mais de 50 mil quilômetros quadrados, cruzando rios, picadas, serras, chapadas, trilhas e estradas só transitáveis por carros de boi. Os índios apelidaram as linhas telegráficas de "língua do Mariano" (Cândido Mariano da Silva Rondon), que as designava pela expressão "sondas do progresso".

O escritor Roquette-Pinto dizia que o Marechal era "o ideal feito Homem". O presidente Theodore Roosevelt afirmava que Rondon, "como homem, tem todas as virtudes de um sacerdote: é um puritano de uma perfeição inimaginável na época moderna; e, como profissional, é tamanho cientista, tão grande o seu conjunto de conhecimentos que se pode considerar um sábio. (...) A América pode apresentar ao mundo duas realizações ciclópicas: ao norte, o canal do Panamá; ao sul, o trabalho de Rondon - científico, prático, humanitário".

Paul Claudel, grande poeta francês e Embaixador da França no Brasil, disse: "Rondon, esta alma forte que se interna pelo sertão, na sublime missão de assistir ao selvagem, é uma das personalidades brasileiras que mais me impressionaram. Rondon dá-me a impressão de uma figura do Evangelho".

Cego e enfermo havia meses, Cândido Mariano da Silva Rondon agonizou no domingo, 19 de fevereiro de 1958, tarde ensolarada, de céu azul, em Copacabana. Recebeu extrema-unção, voltou-se para seu médico de cabeceira e disse: "Viva a República! Viva a República..."

Foram suas últimas palavras, após 92 anos de vida inteiramente dedicados à sua Pátria, aos índios e às comunicações.

Bibliografia
CAUDURO MARTINO ARQUITETOS ASSOCIADOS. Museu do Telefone. Companhia Litographica Ypiranga, 1977.
Padre Landell de Moura
Um padre incrível, que conhecia eletricidade e fazia, em 1893, experiências extraordinárias tão avançadas quanto aquelas que Marconi apenas iniciava dois anos depois, merece que a história das telecomunicações lhe faça justiça. Seu trabalho, sua genialidade e, particularmente, seu sofrimento ante à incompreensão que cercou seus inventos estão narrados num livro do teatrólogo Ernani Fornari: "O Incrível Padre Landell de Moura".

Roberto Landell de Moura nasceu em Porto Alegre em 21 de janeiro de 1861. Estudou no Colégio dos Jesuítas. Sempre gostou tanto da Ciência quanto da Religião. Ordenou-se sacerdote em 1886, na capital do Rio Grande do Sul, depois de ter estudado por alguns anos na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde aprendeu Física e desenvolveu seus primeiros estudos sobre a "Unidade das forças físicas e a harmonia do Universo". Transferido de Porto Alegre para São Paulo em 1892, o padre Landell de Moura foi pároco em Campinas e em Mogi das Cruzes.

Na capital paulista, fez suas experiências extraordinárias, conseguindo, em 1893, transmitir sinais e sons musicais a uma distância de oito quilômetros, entre a avenida Paulista e o Alto de Santana, num sistema de telefonia sem fios. Na realidade, como provam seus desenhos e esquemas, foi ele o verdadeiro inventor da válvula de três polos, ou tríodo, com a qual era possível modular uma corrente elétrica e transmiti-la, sem fios, a longas distâncias.

O mais triste em toda a história de Landell de Moura é que a incompreensão de seus contemporâneos, em lugar da glória, lhe trouxe o ridículo e a perseguição. Chamavam-no "lunático, louco, bruxo e diabólico". Nem os seus superiores religiosos foram capazes de apoiá-lo e chegaram a proibi-lo de continuar com suas "estranhas manias de inventar aparelhos elétricos e de tentar transmitir a voz a distância".

Os professores Nilo Ruschel e Homero Simon, do Departamento de Engenharia da PUC, referiram-se às descobertas do padre Landell de Moura de forma incisiva e entusiástica: "É impressionante como esse homem vivia adiante de sua época. Há afirmações em suas patentes relacionadas com o moderno sistema de micro-ondas. É uma combinação exata da rede de telefonia - que já era bem desenvolvida no final do século passado - com as ondas hertzianas, o que é completamente original".

Algumas obras especializadas estrangeiras, embora sem citá-lo nominalmente, falam da importância dos trabalhos de um padre brasileiro, "precursor de Marconi na TSF" (telefonia sem fio) e na descoberta da válvula de três polos (patenteada por Lee De Forest em 1906, nos Estados Unidos). Na realidade, há poucos documentos sobre os trabalhos científicos do padre Landell de Moura. Mas esses papéis, reunidos no livro de Ernani Fornari, são largamente suficientes para comprovar que suas ideias chegaram a ser efetivamente mais avançadas do que as de qualquer outro inventor ou cientista de sua época.

Landell de Moura, fugindo à incompreensão, viajou para os Estados Unidos em 1901, onde passou a enfrentar numerosas outras dificuldades (inclusive econômicas). No entanto, arquivou no Serviço de Patentes dos Estados Unidos (U.S. Patent Office) três inventos originais para "um transmissor de ondas", um tipo especial de "telégrafo sem fios" e outro de um modelo pioneiro de "telefone sem fio" - os quais ganharam as patentes de números 771.917, 775.337 e 775.846. Voltando ao Brasil, não encontrou apoio entre seus conterrâneos. Tentou fazer a demonstração de seus equipamentos em navios da Marinha de Guerra, no Rio de Janeiro, mas não foi levado a sério. Conta-se que, quando um auxiliar do presidente Rodrigues Alves lhe perguntou a que distância queria que os navios ficassem da costa, para a realização das experiências, o padre lhe respondeu: "A quantas milhas quiser, pois meus aparelhos podem funcionar a qualquer distância e poderão servir, no futuro, para comunicações interplanetárias". O pedido foi arquivado, sob a alegação de que “a Marinha tinha coisas mais importantes a fazer" do que se submeter a experiências de padres malucos. Era muita ciência para a época.

Bibliografia
CAUDURO MARTINO ARQUITETOS ASSOCIADOS. Museu do Telefone. Companhia Litographica Ypiranga, 1977.
Philipp Reis
Johann Philipp Reis era professor alemão e dava aulas de Física na Universidade de Friedrichsdorf.

Em 1861, projetou diversos aparelhos para a transmissão do som, especialmente musicais, baseado no princípio constatado pelo médico norte-americano Charles Grafton Page em 1837, de que a imantação e desimantação de um pedaço de ferro doce produziam um som peculiar, o que ele chamou de "música galvânica".

Saiba mais: Esse fenômeno é produzido porque o ferro se contrai quando é imantado - um fenômeno chamado "magnetostrição". Se um pedaço de ferro for colocado dentro de um eletroímã e a corrente elétrica desse eletroímã variar muito rapidamente, o pedaço de ferro pode vibrar e emitir sons.

Esquema do telefone eletromagnético de Meussi (esquerda), e reconstrução moderna baseada em sua descrição (direita).

Reis deu ao seu aparelho o nome de "telefone" - das Telephon, em alemão. Essa palavra já havia sido utilizada antes, em outros sentidos - por exemplo, para descrever tubos de comunicação. Mas o aparelho de Reis foi o primeiro "telefone" elétrico que conseguiu transmitir sons.

Em 1860, Reis conseguiu transmitir música cantada a 100 metros de distância, por meio de um aparelho elétrico. Seu aparelho produziu uma enorme sensação. Possuía um transmissor e um receptor. O transmissor tinha uma membrana esticada - como a pele de um tambor - com uma lâmina metálica no centro. Bem próximo a essa lâmina, havia um contato metálico. A lâmina e o contato eram conectados a fios metálicos e a uma bateria. Quando se falava perto do transmissor, a membrana vibrava. A lâmina metálica batia no contato metálico e produzia sinais elétricos. Quando a lâmina encostava no contato, passava dessa forma uma corrente elétrica e, quando ela se separava, a corrente elétrica parava. Assim se produzia uma corrente elétrica descontínua, que vibrava com a mesma frequência do som que atingia a membrana do transmissor.

Esquema do telefone eletromagnético de Meussi (esquerda), e reconstrução moderna baseada em sua descrição (direita).

O aparelho de Reis era essencialmente um tipo de telégrafo - porém, ao invés de enviar sinais batendo com o dedo sobre um interruptor, era a voz que fazia uma membrana vibrar e bater em um interruptor muito sensível.

Essa corrente elétrica era levada pelos fios metálicos até o receptor. Esse receptor era constituído por uma barra de ferro fina - semelhante a uma agulha de tricotar -, presa a uma caixa de ressonância. Em volta dessa barra de ferro eram enroladas muitas voltas do fio que vinha do transmissor. Quando os sons produziam vibrações no transmissor, a corrente elétrica vibratória produzia também vibrações de mesma frequência na barra de ferro. A vibração da barra fazia a caixa de ressonância vibrar, e assim eram ouvidos sons com a mesma frequência do som que atingisse a membrana do transmissor.

Reis fez uma demonstração de seu aparelho na Sociedade Científica Alemã, em 1861. Foi possível ouvir uma música cantada por um cantor profissional que estava a 100 metros de distância. No entanto, somente era possível reconhecer a sequência de sons musicais - as diferentes frequências. O aparelho não reproduzia nem as variações de intensidade do som, nem as palavras cantadas, nem as características da voz do cantor. Era possível distinguir a voz de um homem da voz de uma mulher - a da mulher é mais aguda -, e reconhecer as notas musicais de uma melodia. No entanto, não se conseguia entender uma palavra.

Numerosas outras demonstrações de sons musicais foram feitas efetivamente por Reis. Mas era preciso que o som fosse sempre muito forte para manter a oscilação da corrente. Um som débil não movia a agulha. As demonstrações em conferências tornaram bastante conhecido o "telefone" musical do professor alemão, que chegou a considerá-lo apenas um "brinquedo filosófico" e permitiu sua fabricação e venda para demonstrações didáticas.

Pode-se dizer que Reis inventou o primeiro aparelho para transmitir sons a distância por meio da eletricidade, o qual, porém, não transmitia voz a distância.

Bibliografia
CAUDURO MARTINO ARQUITETOS ASSOCIADOS. Museu do Telefone. Companhia Litographica Ypiranga, 1977.
MARTINS, ROBERTO. A Fundamentação da Telefonia através da História. Parte 1: Da Invenção ao Início do Século XX. Pesquisa realizada para a Fundação Telefônica, 2002.

Arte e Tecnologia no Mundo

  • México

    EducaRede:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Pró-Menino:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Voluntários Telefônica:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Arte e Tecnologia:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Dados: Dezembro 2009

  • Peru

    EducaRede:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Pró-Menino:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Voluntários Telefônica:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Arte e Tecnologia:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Dados: Dezembro 2009

  • Argentina

    EducaRede:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Pró-Menino:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Voluntários Telefônica:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Arte e Tecnologia:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Dados: Dezembro 2009

  • Chile

    EducaRede:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Pró-Menino:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Voluntários Telefônica:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Arte e Tecnologia:
    Total de participantes: 25.425.821
    Visitas ao portal: 35.475.468

    Dados: Dezembro 2009

Selecione um País para saber mais informações:

Redes Sociais Fundação Telefônica

Participe!

2011 Fundação Telefônica